domingo, 9 de abril de 2023

quadras antigas...agora encontradas





para acalmar o coração 
oh que doce acalmia
ao amor não se diz não
haja amor, noite e dia

é o mais doce caminho
com a luz que o alumia
amor e doce carinho
sustenta nossa alegria

por meu amor chamas
acordado ou a sonhar
prometes que me amas
contigo ando a sonhar

pra sempre nos amarmos
ai amor que bom seria
abraços beijos trocarmos
promessas quantas faria

jamais ficar no olvido
ficar parado no vazio
o amor não faz sentido
sentir o coração tão frio

com amor no coração
logo chega madrugada
não há amor sem senão
ou é tudo ou não é nada.

natalia nuno

trovas singelas...



As quadras que vou postar, encontrei-as por acaso, num espaço duma amiga brasileira, por volta de 2010, e são os 1ºs trabalhos que criei, todas elas muitos populares e singelas e soltas, mas ainda assim não as quero perder.

amam-se e não se deixam
feliz o amor que carregam
seus olhares logo se fecham
em mares q' só eles navegam

q' sigam do amor o caminho
façam dele uma avenida
gestos de muito carinho
tornam-lhes feliz a vida

pelas trovas tão constantes
escritas como gorjeios
como ventos doidejantes
feitas de puros devaneios

em carinhos, apaixonados
frutos próprios da juventude
trazem sonhos incendiados
sonhadores voltam lá amiúde.

natalia nuno

passa a procissão





alecrins e mais giestas
e de alfazemas um fervor
diante dos olhos as festas
e as procissões do Senhor

às vezes golpes do vento
rasgavam o arvoredo,
os trovões no firmamento
do eterno me vinha o medo

derramava no povo anseio
passava Jesus diante de mim
vinha  sua Mãe de permeio
logo abolido o medo por fim.

no mais profundo da m'alma
ao ouvido um anjo silente
o fulgor do sonho me acalma
e recordar é solidão crescente

apesar dos anos decorridos
brilha o poema na recordação
são tantos os anos vividos
trago a aldeia no coração.

natalia nuno
trovas antigas





segunda-feira, 31 de outubro de 2022

quadras sem encanto...

navego pra lá do firmamento!
entrego a alma ao universo
em labirinto, fica o pensamento
coração em saudade submerso.




ouço o hino que o mar canta
e um braço imenso me envolve
a força do mar me encanta
apaixonada linguagem devolve.

o mar é hoje o meu poema
ponho nele a infância recordada
deslumbrado e sombrio é o tema
estertor, duma vida agora acabada.

a vida é agonia que soa
às vezes traz-nos a ideia do medo
traz às vezes ruído que magoa!
e nosso mar é nosso segredo.

vai-se alargando a sentença
da morte do poema e do autor
o tempo não há quem vença
é a força que guarda o rancor.

natalia nuno

sonhos, que sonhos?!



trago lágrimas escondidas
quando o chão quase me falta.
angústias por mim vividas
no silêncio o coração me salta

escrevo triste desassossegada
de que me serve sonhar?
e à noitinha pela calada
sinto a vida o cerco apertar.

debruço-me sobre a janela
o tempo corre, não perdoa!
vem a lua falo com ela,
faz-me sonhar, e a vida escoa

embalo ainda o que basta
para a vida ter sentido
do meu coração n/se afasta
lembrança do tempo vivido

meu querer não quer partir
deixo meus olhos por aqui
invento vontades para sair
deste versos que eu revivi

volto pra te falar e nem sei
dizer-te da minha amargura
teci versos, não te os deixei
mas fi-los com muita ternura.

natalia nuno

sexta-feira, 7 de outubro de 2022

Quadras no tempo que parte...



nesta quadra inquietante
no seu furor nascente,
abro palavras e distante.
meu coração não as sente.

badala coração como sino
rasgando minha emoção
ou toca como um violino
o amor efémero d' estação.

o sonho é pedra na água
que escurece como magia
longe de ti... esta mágoa!
que cresce dia após dia.

esta quadra ouve-me a voz
e um branco cisne m'alerta
que esqueça da vida os nós
porque amor a vida conserta.

vida sulcada de promessas
que são oásis na mente
amor darei sem que me peças
lateja em mim, reprimente.

natalia nuno






quinta-feira, 4 de agosto de 2022

trovas que canto em surdina...





entro com o pé direito
assim eu vou entrando
o que está feito, está feito!
vão meus versos acabando

quando te miro nem sei
onde vejo formosura...
olhei para ti e pasmei
mas que bonita figura

se recordar é viver
ou um grande gozo louco
minha alma há-de saber
que o tempo já vale pouco

já fui rosa de jardim
trago a vida a consumir-se
não tenham pena de mim
sou flor a despedir-se.

sou igual ao que eu era
mantenho-me nada inventei´
ser jovem ai quem me dera
mas há muito por lá passei.

tenho filhas, tenho netos
felicidade e revés...
já me dei tanto, em afectos
e recebi tanta mudez

se medito fico perdida
e quem é que não erra?
à vida ando rendida
mas é a morte que me espera.

és enleio que te enleaste
a mim sem eu saber
se disseres que não me amaste
de pena hei-de morrer...

natalia nuno