segunda-feira, 11 de abril de 2011

CHORA GUITARRA




Há uma guitarra que chora
Fado triste que em mim habita
Chora porque amor foste embora
Choro eu na saudade que fica.


Chora guitarra chora também
Com o fado que é minha Vida
Noite adentro onde mais ninguém
Veja que trago a esperança perdida.


Chora guitarra, chora a desgraça
Das mágoas que temos da Vida
Bebamos o fel em larga taça...
A este tempo que me tráz cativa.


Chegou a noite, não te contentas
Choras um fado triste em agonia
Protestos vãos, mas te lamentas
Me abandonas à sorte deste dia.


Nada nem ninguém a nos consolar
Solidão, o choro, agonia a morte
Mas eu juro aqui me tens a derramar
Clamores em Poesia, à nossa sorte.


natalia nuno
rosafogo
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POETA É...


O Poeta é uma águia negra
Que voa alegre no espaço
Às vezes nem o sol o alegra!
Se não sente aquele abraço.


No Poeta... vibra
Um dia a sua face
No outro desequilibra,
Escreve Poesia até que passe!


O  Poeta fica silencioso
Deixa-se triste e calado
Perde a fé, fica receoso
Cala e fica só... desesperado.


O Poeta é uma ave sem ninho
Triste é sua existência, sombria!
Desprende da vida devagarinho
Dorme um sonho na noite fria.


O Poeta é um vagabundo
Que sonha e... ousa dizer!
Que o Mundo está moribundo
De tanta falta de amor padecer.


O Poeta é pobre prisioneiro
Se excede, canta sentimentos
Olha o Mundo sobranceiro!
A sós com os pensamentos.


Poeta é vaidoso na sua loucura?!
Pensa ser outro ser... sem ser!
Seus segredos, a sua ventura
Tudo ele tem... sem nada ter.


Tem apenas a sua memória
E vai levando seu triste fado
Sempre é negra a sua história
Finge, finge-se de dor acabado.


Tem prazer no seu sofrer
E ai de quem dele se ria!
Sente a sua mágoa crescer
E canta a mesma melancolia.


Por isso todo o poeta é
Gentil, e nunca se cança!
Só a loucura apenas ele não vê
No sonhar é apenas criança.


natalia nuno
rosafogo
quadras de 2000
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domingo, 10 de abril de 2011

QUADRAS AO VENTO



A Poesia alimenta a alma
O Amor....o coração!
Quando um está doente?
O outro cai de aflição!


Tudo se perde na corrida
Que importa destio alheio?
No furacão que é esta Vida
A esperança fica de permeio.


Lamenta-se a Vida inteira
Que viver é um tormento
Mas não há quem não queira
Padecer este sofrimento.


O desespero é sopro frio
Deixa a Vida sem sentido
Forja em nós um vazio
Fica o coração sofrido.


Vive-se nesta guerra acesa
Á espera dum pouco de sorte
Na corda bamba da incerteza
Na esperança de sacudir a Morte.


natalia nuno
rosafogo
quadras de 2001
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QUAQRAS SOLTAS XIII


Caem folhas é OUTONO
Saudades da PRIMAVERA
Fica o VERÃO ao abandono
Já o INVERNO nos espera.


Quero correr em campo verde
Do tom verde, verde esperança
A esperança que não se perde
De ser livre pássaro ou criança.


O vento espalha a semente
Leva-a longe p'ra bem distante
Quem cala, cale e consente
Eu sou da liberdade amante.


Livre sempre vou querer ser
Deixar-me nas asas do vento
Livre puder correr...correr!
Quero livre...livre o  pensamento.


É este o último choro meu!
Uma dor que o peito sente
Pelo Amor que não esqueceu
E por estar de ti ausente.


Mas se logo estás presente
Esqueço a Vida em pedaços
Esqueço o que o coração sente
Se me acolhes com teus abraços.


natalia nuno
rosafogo
quadras de 2000
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QUADRAS SOLTAS XII



Já se avista a Lua gulosa
Chega, vem amar o Luar
Só eu estou tão desgostosa
Por não te ver nem falar!


Que triste está hoje o dia!
Tão triste que tem chorado
Ao destino ninguém foje
Tráz-se o destino marcado.


Há dentro de mim um querer
Sinto-me navio sem mastro
Tenho fome de querer saber
Ter luz, tal qual a dum astro.


Minhas mãos, mesmos gestos
Já sem rumo nem destino
Se param...surgem protestos!
Continuam, perco eu o tino.


Minha alma não tem idade
Partirá da vida descontente
Ficará com ela a saudade
Na mão de DEUS docemente.


Anda o Sol tão perdido
Lá no cume da montanha
Assim o dia triste e esvaído
Eu romeira, de viagem tamanha.


natalia nuno
rosafogo
quadras de 2000


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sexta-feira, 8 de abril de 2011

CAMINHO ANDADO



Virei a página, resisto!
Rasguei caminhos, cheguei
De caminhar não desisto!
Chego ou não, logo saberei.



Passa tempo, tudo esquece
Há muito que estou sem vida
Também o Inverno arrefece
A mágoa da alma saída.



Depois de passos já dados
Já não quero nem me atrevo
A lembrar tempos passados
Nesta palavras que escrevo.



Meus versos de imperfeições
Com eles privo íntimamente!
Cheios das minhas afeições
Que o coração por eles sente.



Minhas ideias são viandantes
São como a vida...fugaz!
Mas dos versos são amantes
Dasalinhados, tanto faz...



O pensamento voa  sereno
Nestes versos desalinhados...
Como estrelas dum céu ameno
Pássaros de olhos deslumbrados.



Não sei dos dias, das horas
Tão pouco dos pensamentos
Por isso coração...choras!
Só restam descontentamentos.



Passo o tempo em sobressalto
Já tudo a mim me foi mostrado
Vai a Vida como o sol  tão alto!
Sombria a terra, coração magoado.



rosafogo
natalia nuno
Quadras de 1999


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PENSAMENTOS



Passo meus dias inteiros
A pensar neste meu Mundo
Meus sonhos são trapaceiros
Minhas horas vazio profundo.



Mas hoje um Céu inventei
Um tempo que hei-de vencer
Pela vida dei e então a saudei
Estendi, veio a mão estender.



O coração bate não desiste
Cospe bem na cara da Morte
Diz-lhe que existe, ainda existe!
Preso por fio, mas um fio forte.



Á Morte fecho a porta na cara
Se não fôr eu quem o fará?
Meu coração, ele não pára...
Anuncia um dia mais viverá!



Mas se a Vida me abandonar
E não me restar vontade
Que ninguém venha chorar!
Só me lembre com saudade.



rosafogo
natalia nuno
Quadras de 1999.


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