segunda-feira, 25 de abril de 2011

AGARRAM-SE OS SONHOS





Papel em branco, verso vazio
Vazio, solitário como o dia
Transpôr limites, um desafio
Esquecer solidão e melancolia.


Gastos os olhos e as palavras
Ousadas ainda saem da boca
Vão morrendo, embora bravas
Em liberdade, saudade louca.


O pensamento, floresta que arde
Quer das cinzas ainda renascer!
Talvez por sorte não seja tarde?
E na riqueza de ideias prevalecer.


Ainda resta alguma esperança
Neste meu Mundo a entardecer
Saudade de quando era criança!
Lembrar é, não me deixar morrer.


natalia nuno
rosafogo


Imagem-blog imagens de rosas e flores

domingo, 24 de abril de 2011

MEU PAÍS



MEU PAÍS


Meu país de Sol eterno
Onde o céu esbanja azul
Tens manto branco no Inverno
Beija-te o mar de norte a sul!


Há quem diga meu país
Que és pequeno, pobre e triste
Mas é aqui que sou feliz
Onde o mar é azul, o sol existe!


Não sou poeta, pois não!
Mas herdei de ti a solidão
E nas veias pula a razão
De te trazer no coração.


rosafogo
natalia nuno
imagem ret.da net

quinta-feira, 21 de abril de 2011

CHORAM MEUS OLHOS



São as palavras que escrevo
Um bem que é tão necessário
Quer queira ou não, me atrevo
Escrevê-las em tempo solitário


Escrevo desta maneira, saudosa
Quer seja noite ou talvez de  dia
Ao ver passar os anos, e chorosa
Saudosa ao ver acabar outro dia.


Trago no rosto linhas severas
Ao ver que me fugiu a mocidade
Lembranças me doem... deveras
De tudo que fui resta a saudade.


Choram meus olhos tão caídos!
É já muita a memória que perdi
Voam perdidos os meus sentidos
Já não sei de nada, e nada ouvi!


O coração nesta altura descansa
As lembranças já são coisas raras
Busca às vezes algumas da criança
Que como diamante brilham claras.


rosafogo
natalia nuno

domingo, 17 de abril de 2011

SOLTAS XV



Tudo que escrevo eu sinto
São como lamentos reais
Às vezes para mim minto
Porque me doem de mais!


Há dias em que não escrevo
Para não usar o coração
Tão cansado que nem atrevo
A causar-lhe  desilusão.


O amor é como incenso
Que acende e arde breve
Aroma que odora imenso
A alma de quem escreve.


Na verdade não me conheço
Tão diferente da que fui
Meu caminho eu atravesso
Lembrança que já  dilui.


Já não há nada de verdade
Falo, falo, nem sei quem sou
Sou de mim já só a saudade
Saudade que em mim ficou.




natalia nuno
rosafogo
imagem-blog imagens para decoupage

SOLTAS XIV



Qualquer noite, qualquer dia
Sinto este amor no peito
Esta profunda melancolia
Sinto-o a morrer desfeito.


Longe  doce viver antigo
Trazia com ele luz divina
O tempo era meu amigo
No meus sonhos de menina.


Já sou dona de cansaços
Fiz de mim um lago triste
Saudade segue-me os passos
A vida comigo insiste.


Reclino-me flor pendida
Já o meu coração calei
Na paixão me deixei perdida
Mas o Amor ainda guardei.


A poesia excede a razão
Tudo que escrevo é loucura
São palavras, apenas ilusão
Que aconchego com ternura.


Conto os dias, conto as horas
Os minutos, os segundos
Chega a saudade a desoras
Com ela sonhos profundos


Vida que me coube em sorte
Eterna como uma encruzilhada
Um atalho e logo a morte
Sou grão de areia arrebatada.


natalia nuno
rosafogo
imagem-blog imagens para decoupage

quarta-feira, 13 de abril de 2011

SIMPLICIDADES DA VIDA



Arroubos da mocidade
São sonhos, são ilusão
Hoje me dão saudade
Bem a sinto no coração.


Arroubos próprios da idade
Que ainda trago na mente
Idade que me dá saudade
Que o meu coração sente.


Arroubos que não esquecem
Tão presentes até no olhar
São estrelas que não falecem
Amores que quero recordar.


Saudades trago da  era
D'outros tempos felizes!
Saudades de quando eu era
Arco- íris de mil matizes.


Era flor da Primavera
Abriu num fechar de olhos!
Olho para trás  quem dera
Ser essa flor, aos molhos.


Era então moça bem nova
Usava saias... aos folhos
Agora faço uma trova!
Com as lágrimas nos olhos.


Era no campo a papoila
Gritante de cor encarnada
...Voltar a ser a moçoila?
Sei lá eu, já não sei nada!


Com as lágrimas nos olhos
Saudades eu vou sentindo!
Da menina da saia aos folhos
Passava por mim sorrindo.


Calo a vontade sentida
De dizer umas verdades
Já pouco espero da vida
Vivo com estas saudades


«Nem tudo o que luz é ouro»
...Tantas vezes só ilusão!...
Guardado trago o tesouro
 dentro do meu coração.


rosafogo
natalia nuno

terça-feira, 12 de abril de 2011

FOLHA EM BRANCO



Folha em branco sem verso
É noite escura, é  solidão!
Uma dor surda, um aperto
E já não sou eu mais não!


Folha a que tem acesso
Meu sonho aqui suspenso,
Folha em branco sem verso
Me pertence, lhe pertenço!


Folha em branco incompleta
Onde meu olhar é agonia
Onde minha alma de Poeta
Se deixa  morrer mais um dia.


Folha em branco é a razão
Do sonho onde quero morar
É dona duma antiga paixão
Onde estou, sem a encontrar.


Trago minhas mãos vazias
Nesta folha em brando traço
Não trago nos dedos pedrarias
O tesouro é Poesia que abraço.


Folha em branco, linha indefenida
O esboço duma mágoa latente!
Contornos duma vida endurecida
Regresso a mim profundamente.


Nesta folha em branco agora
Escrevi versos de ouro e jade
Não vão recordações embora?!
Me deixe alheada a saudade.


natalia nuno
rosafogo