domingo, 24 de março de 2013

dor de amor...



se a verdade me doeu
a mentira causou dano
o sonho se esvaneceu
andei amor ao engano

mas a alegria atenta
não deixou entristecer
logo o coração inventa
amor que há-de nascer

lá vem novo milagre
que o coração ilumina
talvez não seja tarde
no coração de menina

e a verdade menos dói
mentira sempre se apanha
encerrado então que foi
esquece-se a dor tamanha.

rosafogo
natalia nuno
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sábado, 23 de março de 2013

trovas...quebrantos




o tempo me marca o passo
já sou a sombra de mim...
olho o espelho e me amassso
quem dera saber ao que vim.

o tempo é coruja cinzenta
mais um dia que se perde
e minha vida lamenta...
seu tempo que já foi verde.

o tempo é de esquecimento
chuva miúda na lembrança
só me traz algum alento...
recordações de criança.

tempo é agora quebranto
mistério destes meus dias...
traz-me a saudade o encanto
caem-me no peito alegrias.

falta-me o ar, vem sufoco
já os meus sonhos se vão
e meu pensar anda louco
sem motivo nem razão...

natalia nuno
rosafogo
imag-net
4/2006








quarta-feira, 20 de março de 2013

Poesia...




















sento-me à mesa e escrevo
palpitante como criança...
coisas que devo e não devo
mas que vêm à lembrança.

sonhos que sei aquecer
tão docemente guardados
caminho levo a escrever
de tantos passos já dados.

a mão enquanto escrevo
já sabe de antemão...
letras que devo e não devo
vindas  lá do coração.

e meus olhos são dois sóis
preferem a noite ao dia...
o dia é para os girassóis
a noite é mágica é Poesia.

escrevo a palavra aguda
sinto-me poeta perfeito
mudar ninguém me muda
escrever é este  meu jeito.

natalia nuno
rosafogo
imag.net

terça-feira, 19 de março de 2013

eu sou...


 
sou aranha que tece a teia
sou folha levada p'lo vento
sou onda que avança na areia
alegro-me no reconhecimento
 
sou a lua que olha a terra
sou do rio a outra margem
sou notícia ando na berra
buscam outros m' imagem
 
sou uma tarde abrasadora
trago interrogação na boca
uns me julgam sonhadora
e outros me acham louca
 
sou  espelho onde me vejo
sou água a subir-me ao pé
sou mulher feita desejo
reconheço-me forte na fé
 
sou noite fresca de verão
a lua caindo nas águas...
sou esquecimento e solidão
um mar fechado em mágoas
 
sou a que fiz e a que faço
de rosas murchas poemas
afirmo a vida a ela  enlaço
num grito as minhas penas.
 
rosafogo
natalia nuno
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domingo, 17 de março de 2013

lembranças não morrem

 
trago algemas de saudade
matraqueando no coração
são correntes de vontade
lembranças não morrem não!
 
acordam o adormecido
no sangue fogo pegando
saudade que tem sentido
soando... soando, vibrando!
 
saudade me afaga o rosto
e me canta em voz dolente
ao entardecer o sol-posto
chora comigo e a sente...
 
descem estrelas do céu
a solidão renasce depois
então a saudade nasceu
nessa hora entre nós dois
 
os lábios não sabem dizer
eles que tanto disseram...
assim vivemos sem saber
o quê... amor nos fizeram!?
 
arrastados pela saudade
onda desfeita p'lo ar...
perde a vida qualidade
cega de névoa... o olhar
 
natalia nuno
rosafogo
imag.net

sexta-feira, 15 de março de 2013

incerto que receio

 
 
sou navio em alto mar
à procura dum porto abrigo
meu coração lá irá parar
se o tempo não fôr inimigo.
 
trago o tempo arrenegado
tantos anos a me perseguir
e não me ter acostumado
aos anos que hão-de porvir
 
sou a margem indiferente
do rio que me vê correr
trago minha alma doente
passa a vida... sem me ver.
 
estou agora longe de tudo
não sou princípio nem fim
trago o olhar frio e mudo
eu sou o tédio de mim
 
queria a vida por aqui
leve passo de andorinha
mas se ela vai por aí?!
só no passado foi minha
 
trago pérolas rolando
pela face da fonte pura
assim vai o tempo passando
nos olhos é noite escura.
 
natalia nuno
rosafogo
imag.net





quinta-feira, 14 de março de 2013

quadras de chita

é madrugada canta o galo
já o dia despontou...
 há muito de amor não falo
 porque o amor terminou.
já rebentam as videiras
virá o vinho que amadurou
saudades são as primeiras
mas falar de amor não vou
é no cimo do salgueiro
que canta a negra cotovia
perfeito amor o primeiro
que recordo hoje em dia
pobre de mim não canto
mas um dia já cantei...
foi-se da vida o encanto
e com ele por lá fiquei
cruza os céus o gavião
o que será que procura?
à procura anda o coração
 amor, sol de pouca dura!
natalia nuno
rosafogo
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