sábado, 13 de julho de 2019

quadras soltas...




alma cansada, choro estanca,
o coração de amar não refreia
levo ao peito uma rosa branca,
levo-o de amor, e alma cheia

já que te amei por tantos anos
foste o mar onde me ia deitar
lembro agora  tristes enganos
e sonhos a vicejar no olhar.

dei-te o coração na hora
como se d' sonho a despertar
o amor dentro dele mora
pedindo-me para te amar

natália nuno
versos soltos  repescados de sebenta
data 2001








improviso...




No outono da vida
há duas noites de lua
numa está o luar de partida
na outra o desalento flutua


Barco vai deixando águas
há muito perdi meu remo
boas memórias e mágoas
o inverno o que mais temo

Importa preservar o sonho
proteger-me em teus braços
não quero tempo medonho
quero sorrisos e abraços

Quero anunciar a felicidade
que me atrai e me aprisiona
fascínio, amor e saudade
e sonho não m' abandona

natalia nuno
de 2001

segunda-feira, 17 de junho de 2019

a uma flor..



Ele, há lá flor mais bela
que te possa ofuscar?!
Seja branca ou amarela
não precisas invejar...
És de raiz bem nascida
q' te impede de murchar
nem vais ficar esquecida
se a morte a vida levar
Se o tempo é teu algoz!?
Mas esperança é sonho!
Não seja a lembrança atroz
nem o amanhã medonho
Não te tirem a esperança
de amanhã feliz tu seres
recorda-te sempre criança
para feliz assim viveres...
Esquece da vida revezes
de tudo o que ela te afronta
o que é preciso é às vezes
vivermos ao faz de conta.
A vida matiza dias às cores
põe-te o coração a bater
se te invejam outras flores...
tens afecto e bem-querer.
natalia nuno
rosafogo

quinta-feira, 6 de junho de 2019

zumbe a saudade à minha volta...



cantam pinhais na distância
pássaros me aguardam por lá
em sonho voltarei à infância
rever quem por cá já não está.

vou falar com a minha gente
saciar a sede com água pura
ser flor que vibra inocente
esquecer esta tristeza escura

a vida dispõe e nos talha
em primavera verão outono
a morte tarda mas não falha
logo no inverno o abandono

voa a calhandra rompe o céu
sempre menina aqui deitada
voou o tempo não sou mais eu
pobre de mim e dela coitada

ruas, roseiras ciprestes muros
as manhãs abrem-se às auroras
e os homens de aspectos duros
cheios do tempo, malditas horas

mulheres cozem o pão, oração
enchem cântaras ao amanhecer
amam marido e filhos c'devoção
sentem-se mortas antes de morrer

oiço o frio cantar da fonte
e no lagar a côr rubra do vinho
criança ainda este o horizonte
a memória leva-me ao caminho

é presente em mim enraizado
prisão de aroma e de luar
o céu que me sorria estrelado
vou amar-te até o coração gelar

nossa casa branca ainda lá está
ninguém a pode esvaziar assim
pássaros me aguardam por lá
lembranças esperam por mim

uma vez mais no meu passado
mesmo sonho, mesmo encanto
instante de sorte tocado...
ventura imensa, calado o pranto

terei sempre esta rebeldia
de desafiar o sonho e a solidão
até à luz que se apagará um dia
e eu volto a ti de alma e coração

natalia nuno
rosafogo
à minha aldeia, ao meu rincão







sexta-feira, 24 de maio de 2019

vê-la perdida...trovas



vai o riacho apressado
pressa de chegar ao rio
com medo de ser secado
logo à chegada do estio
*
também  a vida quieta
que não me traz satisfeita
às vezes parece uma seta
q' em lágrimas me deixa
desfeita...
*
os olhos miram o prado
penso q'o amor é loucura!
bate o coração apressado
p'lo amor que pouco dura
*
choram folhas do salgueiro
e o riacho passa ao lado
como aquele amor primeiro
deixando-me neste estado
*
deixo-me levar p'lo vento
levo comigo a saudade
sem amor, viver é violento
tão mau como tempestade
*
foi-se faz tempo a formosura
e o amor q' não era perfeito
n' quero tamanha desventura
quero esquecê-lo no peito
*
passa o riacho atrevido
e o salgueiro aqui ao lado
e o meu coração caído
de solidão a sofrer calado
*
já as sombras daqui se vão
chegou a noite, findou o dia
eu aqui nesta condição
sorrindo à vida enquanto
a perdia...

natalia nuno
rosafogo





sexta-feira, 17 de maio de 2019

vietname ardente...



viajo até um mundo diferente
meu coração é todo agitação
novos momentos, nova gente
terra cálida como meu coração

templos, história, divindades
sobrevivem mitos milenares
e eu prendo-me de saudades
de em teus braços me enredares

sonhos, fontes borbulhantes
aqui no outro extremo da terra
barcos e habitações  flutuantes
entre tréguas, paz e guerra...

gente que traz nos braços flores
e nas montanhas arroz semeiam
seguem em frente esquecem dores
desenha-se novo tempo, q' anseiam

Vietname, Cambodja Laos um a um
onde sempre rompe o nevoeiro
onde vidas se aquietam e nenhum
baixa a resistência, venha o primeiro.

natalia nuno
escrito na viagem 13/02/2019
vietname, camboja e laos



hora d'amar...



é já a hora da madrugada
gritam pássaros c' ternura
na luz leitosa azulada
há quem ame com loucura

entre beijos inacabados
e roupas descompostas
de ancas bem enlaçadas
digo e dizes de mim gostas

janelas escancaradas
entra o vento da aurora
e as vestes amarrotadas
espalham p'lo chão agora

são lembranças de doçura
brilham os olhos se os cortejas
quando abraças com ternura
ardendo quando me beijas

 amor não vou libertar-me
amor que foi sempre assim
de ti não vou separar-me
o destino te trouxe até mim.

natalia nuno
rosafogo