quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

palavras


palavras são dinamite
também podem valer ouro
haja então quem acredite
faço delas meu tesouro...
 
com palavras levo jeito
são de angústia ou alegria
escreve-las sempre ajeito
verdadeiras ou fantasia.
 
palavras trago como rio
que dia e noite não dorme
faço delas meu desafio...
e a saudade fica enorme.
 
delas não tenho receio
são mínha cana de pescar
envolvem-me, nelas enleio
até minha hora chegar...
 
palavras água da fonte
que na poesia matam a sede
adormecem no horizonte
que é grande e não se mede.

 
natalia nuno
rosafogo
imag-net

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

quadras...a poesia é a prova






deu-me o destino por sorte
cantar desde que nasci...
não há coração que suporte
o amor que tenho por ti.
firmei o pé na estrada...
no caminho encontrei espinho
feri  os pés... e magoada
não reneguei teu carinho.
há dias com enfermidade
mas não desperdiço o sonho
também os há de saudade
 o rosto fica risonho.
o poeta sabe criar...
o que só ele sabe entender
no desejo de encontrar
a quem amor oferecer.
a vida partiu não volta!
saudades murmúrio de sedas
são passarinhos à solta...
no coração das  veredas.
memórias andam perdidas
como navio em alto mar
histórias velhas esquecidas
como areia solta a esvoaçar.
a esperança é sempre nova
no coração faz enchente...
e a poesia é a prova
de que ele ainda sente.
natalia nuno
rosafogo
imag. da net
quadras de 2006

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

trovas...tenho a certeza

 


 
chegou à minha janela
uma andorinha perdida
coitada de mim...e dela
tão de negro ... vestida!
 
é grande o nosso luto...
e a vida não desarma
trago o olhar enxuto...
o sonho é minha arma
 
se eu corro atrás da vida
ela corre atrás de mim!
eu a trago esquecida...
ela me esquece por fim
 
a vida me faz descrente
às vezes causa receio...
esta dor coração sente
fingindo andar allheio.
 
coração é fingidor...
embora cheio de saudade
finge esquecer-se da dor
esquecer-se até da idade.
 
vai morrendo devagar
disso eu tenho certeza!
anda na vida por andar
mas á vida eu ando presa.
 
natalia nuno
rosafogo
imagem minha

domingo, 27 de janeiro de 2013

minha aldeia...


 
 
 
 
ai.... aldeia ribatejana
minha infância aí deixei!
faz mil e uma semana...
tantos meses que nem sei.
 
tuas auroras beijaram
minha mocidade em flor
minhas lágrimas amargaram
ao recordar-te com  amor.
 
cá no fundo do meu ser
não sou alegre, antes fosse!
a menina que viste crescer?
tem alma de criança doce.
 
eu creio que me querias
tal qual assim eu te quiz..!
lembro-te todos os dias
e a lembrança me faz feliz.
 
pensar que não te tenho
pensar que já te perdi...
lá de longe de onde venho?!
estás comigo não te esqueci.
 
estes versos que te escrevo
caem-me da alma em flor
são água fresca que bebo
são lembrança do teu odor
 
são flores frescas de jasmim
aldeia que amei na vida...
não quero esqueças de mim
dou-te um beijo na despedida.
 
natalia nuno
rosafogo
imag-net quadras de 01/1997
das muitas enfiadas na gaveta.
 






sábado, 26 de janeiro de 2013

trovas...as asas do sonho



choro uma lágrima hoje
no rosto a seca o vento...
sinto que a vida me foge
a vida trago ao relento.

já a memória anda lenta
é agora o coração de cetim
no olhar trago água benta
com o o(dor) do jasmim.

trago saudade d' hoje perto
no relógio ponteiros sem dó
passa cada momento é certo
aperta-se o coração num nó.

trago a esperança rasgada
nada mais já faz sentido
tanto amei e fui amada...
tudo no tempo perdido!

dou voltas à cabeça...
há pássaros a esvoaçar,
não há lonjura que impeça
as asas deste meu sonhar...

rosafogo
natalia nuno
imag-net





trovas... horas mudas

 
o amor é onda que vai...
amor é onda que vem!
quem nele cai já não sai
é flor e espinho também.
 
partido em mil pedaços
fica o coração desfeito...
sem amor e sem abraços
a vida assim não tem jeito.
 
passa o dia a noite passa
rezo as contas do rosário
aos  céus suplico a graça
não seja a vida calvário.
 
quando minh'alma partir,
e o meu corpo aqui ficar,
os versos se farão ouvir
já não me verão chorar.
 
se o sofrimento purifica,
deixem-me só na saudade
o amor... sempre vivifica!
amor quer-se de verdade.
 
natalia nuno
rosafogo
img-net
 




sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

trovas...aonde vou?



aonde vou eu peregrina
a algum lugar sagrado?
para lembrar da menina
que sempre trouxe ao lado.

aonde vou mais além?
já que me posso perder!
isto não lembra a ninguém
mas eu não posso esquecer.

aonde vou sem parar?
levo cansado o pulmão!
e o coração por te amar
em golpes de furacão...

aonde vou eu faceira?
prós braços do meu amor?!
queira Deus ou não queira
hei-de seguir com fulgor.

aonde vou de laçarote?
irei a alguma viela?!
levo engomado o saiote,
a sorte vou atrás dela!

aonde vou de olhar triste?
altiva porém sem graça?!
passaste e não me viste
melindrei-me logo passa.

aonde irei eu depois?
se vives no meu coração
unidos vamos os dois
não imponhas condição.


natalia nuno
rosafogo
imag. net.