terça-feira, 17 de abril de 2018

saudade...



O amor é como incenso
Que acende e arde breve
Aroma que odora imenso
A alma de quem escreve.
Na verdade não me conheço
Tão diferente da que fui
Meu caminho eu atravesso
Lembrança que já dilui.
Já não há nada de verdade
Falo, falo, nem sei quem sou
Sou de mim já só a saudade
Saudade que em mim ficou.
natalia nuno
rosafogo

sentidos...trovas soltas



Tudo que escrevo eu sinto
São como lamentos reais
Às vezes para mim minto
Porque me doem de mais!


Há dias em que não escrevo
Para não usar o coração
Tão cansado que nem atrevo
A causar-lhe desilusão.


natalia nuno

domingo, 15 de abril de 2018

quem mais jura mais mente...



vermelho é o azevinho
ao pé da fonte água pura
ão retrocedo caminho
levo a vida com bravura

não calo o pensamento
falo de quem muito amei
é grande este sentimento
o amor que te entreguei.

não me trates com desdém
que meu amor já perdeste
era teu... de mais ninguém
e foi pouco o que me deste!

agora que me não queres
não voltes à minha estrada
amor de esmola se queres
não te posso dar mais nada!

enquanto a ti estive presa
era amor... era paixão...
agora trago a certeza
quero de volta o coração.

esquece lá a tua jura...
quem mais jura mais mente
basta a saudade que tortura
meu coração doidamente...

 natalia nuno
rosafogo
quadras de 2001

quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

sem palavras...trovas soltas



no vazio da tua voz
há um eco abafado
que vem até mim veloz
com um som indesejado

se o olhar que trocámos
numa hesitação tremente
as palavras apagámos
então que resta da gente?

agora já a noite sobra
e  tudo que me disseste
já nada a gente cobra
talvez o sonho s'desfizesse

o tempo tudo nos esconde
de nada nos serve resistir
onde anda o amor, por onde?
deu frutos tem de seguir!

mas se ouvisse a tua voz
e não o eco que se arrasta
agora que o sol se pôs
e a vida de mim te afasta

ainda olharia para trás
ver-me menina e tu menino
olhando-te me olharás
s' apressarmos o destino

natália nuno 
rosafogo



sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

insistir na magia dos sonhos...trovas



criança em baloiço andei
ao frio, ao calor de verão
feliz no rio me banhei
por lá ficou meu coração

- já tudo de lá sumiu!
já a saudade é tortura
chora o salgueiro e o rio
já inverno em mim dura

chega a saudade repentina
colho saudades e suspiros
o sorriso em mim se ilumina
sorrisos vejo até nos lírios...

parte d' mim volta a nascer
alegre minha memória delira
outra parte em mim a morrer
tempo a vida e o sonho m' tira

luas inteiras a olhar o rio
horas, dias a ouvir as àguas
águas geladas, eu cheia de frio
aos seixos a contar as mágoas

trepava os muros da ladeira
havia excesso de alegria
ir aos ninhos era brincadeira
e os sonhos de magia vestia

nas noites de lua cheia
meu rosto ela emoldurava
e ao bruxelear da candeia
histórias a avó m' contava

quem impede meu despertar
julgando sonho s' consistência
enlouqueço se não posso voltar
meus sonhos, minha insistência

natalia nuno
rosafogo






sábado, 6 de janeiro de 2018

dizem que sou triste...



dizem os outros que triste sou
flor a  desfolhar caída ao chão
a Poesia nunca me abandonou
nem palavras dentro d' comoção

o vento sempre me abre a porta
derrama em mim pingos musicais
viva a palavra... eu estou morta!
afiadas as palavras são punhais.

enrodilham-se ideias na mente
mas o coração arde ainda mais
e mais, bate, bate... indiferente
as mãos correm n´param jamais

minha cabeça louca tropeça
no orvalho dos malmequeres
na noite não há nada q' impeça
de dar-te amor o que quiseres

dizem que sou triste anoitecer
rasgo a noite que é só minha
rasgo o luar e deixo acontecer
algum sol q' em mim caminha

é tempo das lágrimas recolher
dedos em movimento, escrevo
solitária já me deixo anoitecer
e escrevo o devo e não devo...

no meu rio interior sonora
flor, alegre ou triste pouco
importa... chegada a hora
do amor, eu sou Poeta louco


natalia nuno
rosafogo






sábado, 30 de dezembro de 2017

lugar da minha querença... trovas


Trago na alma o canto dum regato
e os pássaros cantam no coração
olho as estrelas as saudades mato
vou lembrando a terra c' emoção

- trago na alma, ainda que vago
o toque dos sinos que dobram
um sonho precário em mim trago
neste resto de dias que me sobram

quero-me assim bem saudosa
do meu chão paraíso sonhado
foi lá q' cresci rosa tão formosa
e por lá ficou m' sonho inacabado

nas paredes azedas da m' tristeza
há uma lágrima que sempre desliza
e perante o vazio e a incerteza...
voltar ao meu chão m'alma precisa

natalia nuno
rosafogo