sábado, 18 de março de 2017

folhas caídas (trovas outonais)...






folhas caídas é outono
e é outono no m' destino
caem folhas ao abandono
meu destino não domino

ouço uma voz q' se eleva
como o cantar da cotovia
mas o meu dia é de treva
e a morte já me espia...

a vida então se distancia
sonho faz de mim escrava
primavera q'então floria?
o tempo em mim apagava

deixo um suspiro quebrado
como grito de dor profundo
o passado é já passado...
na mente é inda meu mundo.

faço do m'olhar um navio
que da tristeza me afaste
trago a vida por um fio...
tempo, a alegria me tiráste.

nesta madrugada estranha
chora o vento e choro eu
se raio de sol não me banha
surda a vida me esqueceu!

a vida é rio que se desvia
sigo-a agora com cautela
pobre, morta quase se esfria
a alma... ao encontro dela.

natalia nuno

rosafogo

sexta-feira, 3 de março de 2017

trovas soltas...passa a vida.



dizem que não pode ser
que é minha imaginação
que é mágoa de te perder
ou a saudade no coração

que mágoa tão comprida
é grande a dor que m' ficou
é saudade em mim sentida
que o pesar me assegurou


súbita saudade de mim
fico acordada a sonhar
o sonho a chegar ao fim
a saudade sempre a ficar

saudade em mim habita
lateja dentro do peito
passa o tempo e a desdita
passa a vida não tem jeito



mas a vida não foi em vão
de longe se vem cumprindo
cabe a Deus... a decisão!
saúde... lhe vou pedindo.

procuro nem sei o quê
sonho que não tem fim
acordada já se vê! ...
utópico sonhar assim.

natalia nuno

sábado, 25 de fevereiro de 2017

mãe...trovas soltas





Igual à espiga de milho
que cresce no campo livre
livre quer a mãe o filho
vê-lo a crescer, feliz vive.


Mãe é doce... é rebuçado
que filho não vai esquecer
mãe cuida dele com cuidado
seu menino sempre há-de ser


Os olhos da mãe são belos
naturais como uma fonte
quem me dera ainda vê-los
à minha espera na ponte

choro com alegria secreta
ao relembrar minha mãe
ai se eu fosse poeta...
fazia-lhe versos também


igual à espiga de milho
que o sol ajuda a crescer
também a mãe p'lo filho
amor  eterno há-de ter...

natalia nuno
rosafogo




entardecer...trovas soltas



é doce ...chega contigo
até a brisa do salgueiro
entardecer q' és abrigo
hoje a lua veio primeiro

volto a sentir o pulsar
com ternura serei ave
doce andorinha a voar
serei do amor tua chave

esquivo poema a rimar
o céu é polpa de rubi
andam melros a trinar
nas palavras que eu urdi

tarde obscura de estio
olho agora a quietude
tu o mar ... e eu o rio
correndo pra ti amiúde

no riso do amanhecer
ou no mistério da tarde
em ti me volto a perder
êxtase q'é minha verdade

e logo a luz da aurora...
- as tuas carícias de mel
chegada do amor a hora
se arrepia a nossa pele

natalia nuno
rosafogo







sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

clamor ...trovas soltas



silva o vento pela janela
parece meu nome gritar
passa a vida e eu por ela
e a saudade a contestar

o pássaro chora perdido
como criança sem mãe
e o meu coração partido
chora tal qual ele também

meus olhos tristes caindo
vão morrendo dia a dia
só minha boca sorrindo
com uma estranha ironia

logo os sonhos embrumados
inertes no silêncio da loucura
marioneta de gestos cansados
no peito duendes de ternura.

um dia abre-se uma greta
destas cortinas da janela
e logo a morte como seta
quererá que siga com ela

e na sua ávida avareza
no seu afiado gume...
amarras traz com certeza
segui-la-ei sem azedume.

natalia nuno
rosafogo










chão de beijos...trovas soltas



de onde vem esta tristeza
de  noite ou nas horas claras
da nostalgia é com certeza
saudade q' em mim deixaras.

na concha dos meus ouvidos
falaste-me tão devagarinho
arrepiaram-se meus sentidos
com os arrulhos desse carinho

vencida p'lo espasmo ardente
cercada de sonhos e visões...
logo o rosto de rubor palecente
chão de beijos... aos milhões!

fui rosa tremulando à aragem
enamoradamente em harmonia
sou rosa murcha sou miragem
entre sóis, ora noite, ora dia

espantam as cigarras a solidão
entre vivos ocupando seu lugar
pisa-me o peito, o coração
escuto meu lento desagregar.


natalia nuno
rosafogo

sábado, 18 de fevereiro de 2017

trovas que não calo...soltas



outro dia foge sem q'me apresse
outro virá quer queira ou não
é assim que a vida acontece...
e vai caindo na solidão...

de melancolia sou escrevente
poeta dizem,.. eu não sei não!
coisas trago no labirinto da mente
saudade que lhe chega do coração

se a poesia é meu alimento
segredos que só ao papel falo
o destino não seja mais cruento
que de dores e amores não calo

enfuno as velas do porvir
numa ilusão fugaz de calmaria
o mar encapelado olha-me a rir
eu sei...que amanhã é novo dia

sou mar no riso e na loucura
trago a boca gretada pelo vento
digo palavras d'amor e ternura
faço poemas ao firmamento...

trago a sangrar dentro do peito
numa insondável sede d'amar
um poema triste insatisfeito
de solidão que não sei calar

brotam poemas, dor e ansiedade
mas eu adoro, eu sei que adoro!
sou poeta d'amor e saudade
como voz do sino às vezes choro.

natalia nuno
rosafogo