quinta-feira, 21 de setembro de 2017

...trovas soltas...fantasia



caíu a folha...caíu...
foi outono q' chegou
amor também me viu
e logo me abandonou

e logo me abandonou
deixou-me sem alento
minha  alma se toldou
amargo o pensamento

amargo o pensamento
e as palavras ausentes
em prazer ou sofrimento
eu sei q' sinto e tu sentes

sei que sinto e tu sentes
não pára o coração de bater
somos agora indiferentes
dor que aprendi a colher

dor que aprendi a colher
como uma flor no deserto
teu amor queria eu ser
e ter-te sempre por perto

e ter-te sempre por perto
quando a vontade é amar
não me deixes neste aperto
em permanente disfarçar

em permanente disfarçar
e noutro sonho adormecer
sentindo-me a desfolhar
e o coração sem bater

e o coração sem bater
e de lembranças carregada
rosa de Maio a morrer
já ao vento desfolhada

natalia nuno
rosafogo
Maio de 2002



terça-feira, 18 de julho de 2017

corro à janela...trovas soltas



corro, corro à janela
a ver se alguém me espera
e as duas... eu, e ela
somos lenda d' outra era

surge o inverno desfeito
meu coração se comporta
fecho a janela e o jeito
é de esperar-te à porta

corro então a cortina
encho o peito de alegria
vibro como quando menina
rouxinol espreitando o dia

manhã clara como não vira
agora tarde cresce o dano
meu coração já suspira
foi tudo sonho...ou engano?

trazem-me as flores o odor
vêm florir-me o coração
trazem-me tempos de amor
aos olhos verdes que são

trago em mim o desafio
do tempo querer parar
meu corpo é água de rio
pronta a entregar-se ao mar

natalia nuno
rosafogo






sábado, 18 de março de 2017

folhas caídas (trovas outonais)...






folhas caídas é outono
e é outono no m' destino
caem folhas ao abandono
meu destino não domino

ouço uma voz q' se eleva
como o cantar da cotovia
mas o meu dia é de treva
e a morte já me espia...

a vida então se distancia
sonho faz de mim escrava
primavera q'então floria?
o tempo em mim apagava

deixo um suspiro quebrado
como grito de dor profundo
o passado é já passado...
na mente é inda meu mundo.

faço do m'olhar um navio
que da tristeza me afaste
trago a vida por um fio...
tempo, a alegria me tiráste.

nesta madrugada estranha
chora o vento e choro eu
se raio de sol não me banha
surda a vida me esqueceu!

a vida é rio que se desvia
sigo-a agora com cautela
pobre, morta quase se esfria
a alma... ao encontro dela.

natalia nuno

rosafogo

sexta-feira, 3 de março de 2017

trovas soltas...passa a vida.



dizem que não pode ser
que é minha imaginação
que é mágoa de te perder
ou a saudade no coração

que mágoa tão comprida
é grande a dor que m' ficou
é saudade em mim sentida
que o pesar me assegurou


súbita saudade de mim
fico acordada a sonhar
o sonho a chegar ao fim
a saudade sempre a ficar

saudade em mim habita
lateja dentro do peito
passa o tempo e a desdita
passa a vida não tem jeito



mas a vida não foi em vão
de longe se vem cumprindo
cabe a Deus... a decisão!
saúde... lhe vou pedindo.

procuro nem sei o quê
sonho que não tem fim
acordada já se vê! ...
utópico sonhar assim.

natalia nuno

sábado, 25 de fevereiro de 2017

mãe...trovas soltas





Igual à espiga de milho
que cresce no campo livre
livre quer a mãe o filho
vê-lo a crescer, feliz vive.


Mãe é doce... é rebuçado
que filho não vai esquecer
mãe cuida dele com cuidado
seu menino sempre há-de ser


Os olhos da mãe são belos
naturais como uma fonte
quem me dera ainda vê-los
à minha espera na ponte

choro com alegria secreta
ao relembrar minha mãe
ai se eu fosse poeta...
fazia-lhe versos também


igual à espiga de milho
que o sol ajuda a crescer
também a mãe p'lo filho
amor  eterno há-de ter...

natalia nuno
rosafogo




entardecer...trovas soltas



é doce ...chega contigo
até a brisa do salgueiro
entardecer q' és abrigo
hoje a lua veio primeiro

volto a sentir o pulsar
com ternura serei ave
doce andorinha a voar
serei do amor tua chave

esquivo poema a rimar
o céu é polpa de rubi
andam melros a trinar
nas palavras que eu urdi

tarde obscura de estio
olho agora a quietude
tu o mar ... e eu o rio
correndo pra ti amiúde

no riso do amanhecer
ou no mistério da tarde
em ti me volto a perder
êxtase q'é minha verdade

e logo a luz da aurora...
- as tuas carícias de mel
chegada do amor a hora
se arrepia a nossa pele

natalia nuno
rosafogo







sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

clamor ...trovas soltas



silva o vento pela janela
parece meu nome gritar
passa a vida e eu por ela
e a saudade a contestar

o pássaro chora perdido
como criança sem mãe
e o meu coração partido
chora tal qual ele também

meus olhos tristes caindo
vão morrendo dia a dia
só minha boca sorrindo
com uma estranha ironia

logo os sonhos embrumados
inertes no silêncio da loucura
marioneta de gestos cansados
no peito duendes de ternura.

um dia abre-se uma greta
destas cortinas da janela
e logo a morte como seta
quererá que siga com ela

e na sua ávida avareza
no seu afiado gume...
amarras traz com certeza
segui-la-ei sem azedume.

natalia nuno
rosafogo