sábado, 9 de junho de 2018

amor perfeito



hoje trago AMOR, perfeito
onde o mar azul s'adivinha
igual ao que trago no peito
já que amar é sina minha...


dizem ser m' poesia triste
também sou triste n' minto
se a felicidade existe...
não sei onde, não a sinto!

vi-me triste a pensar
que nem borboleta louca
segui de perto o teu olhar
mais de perto a tua boca

não há sonhos no m'chão
nem muito em q' acreditar
soletras amor, e o coração
perde-se na ambição d'amar

agonizam minhas pulsações
tanta apatia, não minto,
num rumor de solidões
tanta a tristeza a que sinto

sentei-me à soleira da porta
à espera d'ouvir teus passos
fim do poema eu quase morta
morta d' amor em teus braços

meu corpo se deixa enlaçar
esquece a estranha solidão
deixo meus dedos a rabiscar
o que me vai no coração...

natalia nuno
rosafogo




terça-feira, 29 de maio de 2018

amor...trovas soltas




fez-me o amor prisioneira
senti o coração a pulsar
e é tão grande a canseira
que à sorte o deixo andar

o coração deu-lhe guarida
obstinado já nada escuta
enaltece o amor, é sua vida
coração e razão numa luta

inquieto meu estado d'alma
a memória velho castiçal
m'coração perdendo a calma
e este amor que lhe é fatal...

deixo-me entregue à solidão
vou vivendo de emoções
até que meu pobre coração
encontre pra amar mil razões


natalia nuno
rosafogo
Abril 2002





quarta-feira, 23 de maio de 2018

inquietação...trovas soltas



nada me poderá destruir
ainda que mortal ameaça
nem o desejo diminuir
quando teu olhar me enlaça

tenho este sonho diferente
esfuma-se em realidade
aparição q'cruza a mente
e deixa nela a saudade...

tudo começa tudo termina
o que pra nós foi diamante
rasgado sorriso de menina
coração amando, palpitante

lágrima à beira do vazio
corpo odorífero de flor...
violento, agiganta-se o cio
os olhos revelam o amor

em palavras perdi o amor
do tempo perdi o pulsar
do rosto perdi o fulgor
sonho, não deixei quebrar!

sonho ou talvez paixão?!
e a palavra por companhia,
ou tudo minha imaginação
ou minha rasgada rebeldia.

natalia nuno
rosafogo
6/2000



tropeço na esperança...trovas soltas



inverno vem-se chegando
deixa meu coração dorido
e a minha boca calando...
gemido de amor perdido

trazer o desejo calado
o mesmo é enlouquecer
num silêncio improvisado
onde me deixo a morrer

quem anda d'amor perdido
agarra a ilusão que é escassa
é um rouxinol  adormecido
ao sabor da brisa que passa

na verdadeira solidão
não há sol que nos aqueça
põe o olhar em contemplação
na esperança sempre tropeça

lábios feitos pra beijar
outros os  estão esperando
os sorrisos a denunciar
os corações estão amando

coração de gelo partido
primavera por florir...
teu gesto tão desprendido!
como queres ver-me sorrir?

este meu coração partido
já só  de amor quer fruir
anda como o outono despido
despido anda o seu sentir

natalia nuno
rosafogo


sábado, 21 de abril de 2018

volta e meia..trovas soltas



flores na jarra...
flores ao peito...
já teu coração me amarra
amo-te deste meu jeito...

sou eu a pensar em voz alta...
delirando em sonho maior...
numa cascata q'me sobressalta... 
e me fecunda de luz e de amor..

flores na jarra, 
flores no cabelo.
o teu olhar me agarra
o coração vou perdê-lo

onde estás, estou contigo
e vivo a contar os dias
entregue ao sonho antigo
do tempo em que me querias

flores na jarra,
flores na mão
são teus olhos duas parras
que cobrem meu coração

o teu gosto no céu da boca
o teu beijo maré cheia
teu sorriso me põe louca
faz-me sonhar volta e meia

natália nuno
rosafogo
2001

perdida...perdi o norte



se não há quem me entenda
a ninguém quero entender
n'venha então quem pretenda
que lhe vá a mão estender...

o pensamento eu mantenho
pois venha lá quem vier
 se é de longe que já venho
trago a saudade a crescer

deixem dizer em segredo
que o q' parece nem sempre é
desejo de desejar, traz medo
mas ao amor o peito, bate o pé

as lágrimas que não chorei
libertei-as na escuridão
perdi-me de mim, já nada sei
são rasto em meu coração

dei comigo a sonhar d'alto
com o teu abraço forte...
ai de mim em sobressalto
perdida, perdi o norte

natália nuno
rosafogo



terça-feira, 17 de abril de 2018

saudade...



O amor é como incenso
Que acende e arde breve
Aroma que odora imenso
A alma de quem escreve.
Na verdade não me conheço
Tão diferente da que fui
Meu caminho eu atravesso
Lembrança que já dilui.
Já não há nada de verdade
Falo, falo, nem sei quem sou
Sou de mim já só a saudade
Saudade que em mim ficou.
natalia nuno
rosafogo