sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

insistir na magia dos sonhos...trovas



criança em baloiço andei
ao frio, ao calor de verão
feliz no rio me banhei
por lá ficou meu coração

- já tudo de lá sumiu!
já a saudade é tortura
chora o salgueiro e o rio
já inverno em mim dura

chega a saudade repentina
colho saudades e suspiros
o sorriso em mim se ilumina
sorrisos vejo até nos lírios...

parte d' mim volta a nascer
alegre minha memória delira
outra parte em mim a morrer
tempo a vida e o sonho m' tira

luas inteiras a olhar o rio
horas, dias a ouvir as àguas
águas geladas, eu cheia de frio
aos seixos a contar as mágoas

trepava os muros da ladeira
havia excesso de alegria
ir aos ninhos era brincadeira
e os sonhos de magia vestia

nas noites de lua cheia
meu rosto ela emoldurava
e ao bruxelear da candeia
histórias a avó m' contava

quem impede meu despertar
julgando sonho s' consistência
enlouqueço se não posso voltar
meus sonhos, minha insistência

natalia nuno
rosafogo






sábado, 6 de janeiro de 2018

dizem que sou triste...



dizem os outros que triste sou
flor a  desfolhar caída ao chão
a Poesia nunca me abandonou
nem palavras dentro d' comoção

o vento sempre me abre a porta
derrama em mim pingos musicais
viva a palavra... eu estou morta!
afiadas as palavras são punhais.

enrodilham-se ideias na mente
mas o coração arde ainda mais
e mais, bate, bate... indiferente
as mãos correm n´param jamais

minha cabeça louca tropeça
no orvalho dos malmequeres
na noite não há nada q' impeça
de dar-te amor o que quiseres

dizem que sou triste anoitecer
rasgo a noite que é só minha
rasgo o luar e deixo acontecer
algum sol q' em mim caminha

é tempo das lágrimas recolher
dedos em movimento, escrevo
solitária já me deixo anoitecer
e escrevo o devo e não devo...

no meu rio interior sonora
flor, alegre ou triste pouco
importa... chegada a hora
do amor, eu sou Poeta louco


natalia nuno
rosafogo






sábado, 30 de dezembro de 2017

lugar da minha querença... trovas


Trago na alma o canto dum regato
e os pássaros cantam no coração
olho as estrelas as saudades mato
vou lembrando a terra c' emoção

- trago na alma, ainda que vago
o toque dos sinos que dobram
um sonho precário em mim trago
neste resto de dias que me sobram

quero-me assim bem saudosa
do meu chão paraíso sonhado
foi lá q' cresci rosa tão formosa
e por lá ficou m' sonho inacabado

nas paredes azedas da m' tristeza
há uma lágrima que sempre desliza
e perante o vazio e a incerteza...
voltar ao meu chão m'alma precisa

natalia nuno
rosafogo


quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

o vento sempre me leva...



sou como o dente de leão
que o vento sempre leva
e vou caindo pelo chão
até que a noite se faz treva

até que a noite se faz treva
e é crueldade a solidão
o vento sempre me leva
sou como o dente de leão

e vou caindo pelo chão
sonhos perdidos um a um
cega vou dando tropeção
na poeira sem  nenhum

sou como o dente de leão
p'lo vento ao abandono
é tão cruel a solidão...
pálpebras fecho com sono

e assim vou caindo ao chão
como fruto sem sabor
sou como dente de leão
que o vento leva com furor

as pétalas cobrem o chão
meu chão do esquecimento
e é tão cruel a solidão
é negra noite sem alento

até que a noite se faz treva
espera o ardor do vento
esse vento que me leva
e leva-me o pensamento

no silêncio do coração
e no retrato da moldura
sou como dente de leão
caindo na noite escura

trago a ternura fatigada
o corpo o amor procura
de poeta já não sou nada
nem no retrato da moldura

natalia nuno
rosafogo

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

sina amarga...



rosas em botão por abrir
esperança lhes bate à porta
o olhar, meigamente a sorrir
mulher q' a ninguém importa

ninguém a ama ou a quer
anoitece e ela na esquina
é hoje perdida mulher
mas tem alma de menina

o coração a engana
entrega-se de mão beijada
e de forma desumana
nem menina n' mulher amada.

natalia nuno

rosafogo
02/1999

trovas antigas




A trova é para troar
Aos sete ventos pois então!
Se a trova queres travar?
vais morrer de solidão.

Trova-se na madrugada
Ao doce alvor da manhã
se a trova fôr travada
Enrusbece como a  romã.

Ai...de que me serve a vida
Se há nela tanta mentira...
Trago a esperança perdida
Que até a crença me tira.

Vestígios,  do que se foi
Prós quais não há remedio
É dor que existe e que dói
E traz à vida algum tédio.

S há dor que nunca passa
é tempestade ou  bonança?
Sofrer pra nossa desgraça
é deixar morrer a esperança.

natalia nuno
rosafogo
trovas de 2003/12

solilóquio...soltas



quem vem saber
quem vem sem demora
se não quiser
"""""pode ir embora

venha à subida
não mostre cansaço
a mim unida
"""""dê-me um abraço

quem me desafia
quem rompe o nevoeiro
quem tem sede de poesia
""""que se apresente primeiro

venha a toda a hora
não fique solitário
porque noite fora
"""""pode ser um calvário

a saudade é herança
traz-nos sonhos dolorosos
traga você a esperança
"""""e abraços calorosos

e se a fonte esgotar
venha quem vier
o coração feito pra amar
""""""""amará quem o quiser

venha! venha!
tire-me desta desdita
venha a morte e me tenha
"""" numa hora bendita

natalia nuno
rosafogo
01/1990
na aldeia Sta Justa