sábado, 15 de dezembro de 2018

Boas Festas aos amigos que visitam este meu blog

Aos amigos desejo Boas Festas, que seja época de Paz e Amor, desejo também saúde para todos, como o tempo é de reflexão que nos unamos e que haja também mais união entre os homens, que haja a paz desejada no Mundo, haja mais respeito pelas crianças e idosos, principalmente que os poderosos ponham a mão na consciência e resolvam os problemas urgentes, há crianças a morrer de fome, enquanto eles deitam a cabeça na almofada sem qualquer preocupação com os que sofrem...que tempos melhores se avizinhem , é esta a emoção que me vai na alma, tenho esperança que o sol cubra a terra e afaste as sombras...mesmo sabendo que nunca vai ser a felicidade completa, que seja pelo menos melhor o amanhã que hoje... um abraço fraterno.
a amiga natalia nuno

grata pelas visitas ao meu Blog


domingo, 11 de novembro de 2018

deixou-se morrer...trovas



o coração é como um berço
que vai embalando a saudade
amo a vida e até me esqueço
que a morte é uma realidade

faz tempo q' o coração abria
pronto, pronto a desabrochar
passava o tempo e a fobia
era em teu coração morar

grande, a paixão se perdeu
agora coração tão cansado
amor q' no peito adormeceu
a morte dum sonho calado

é um velho piano sem dono
este coração que ainda bate
do amor ficou ao abandono
que venha a morte e o mate

assim vai escondendo a dor
deixou de reclamar mas dói
dá-se à lembrança do amor
e um sopro é tempo que foi

natalia nuno
rosafogo


quarta-feira, 31 de outubro de 2018

palavras por dizer...trovas



há palavras por dizer
têm a brancura do nada
resta o sonho acontecer
a quem sonha ser amada

do sonho q' me ofereces
não há frio na madrugada
na despedida me esqueces!
e eu sinto-me abandonada

nas horas amargas do dia
lembro que tempo apagou
os sorrisos da fotografia
que aos rostos não voltou

nos sobressaltos da vida
em erupção de sentimentos
com a alegria desaparecida
sobrepõem-se os lamentos

a vida é  largo de emoções
nada nos impede d'avançar
pior a angústia das solidões
que é não saber o que é amar

palavras que dizem o amor
têm eterna e infinda beleza
têm das flores o cheiro, a cor
fica-nos do sonho a certeza

natalia nuno
rosafogo







domingo, 16 de setembro de 2018

cântico triste...soltas




neste verso rosa saudade
de(lírio) ou esquecimento
na procura da felicidade
ando eu a cada momento

debruçada sobre este céu.
q' avisto da minha janela
entre mil estrelas nasceu
uma que é a mais singela

o que me rasgou o coração
com uma espada afiada
fez me caminhar na escuridão
com medo de não ser amada

imenso e constante vazio
vivo em céus d' melancolia
na espinha sinto arrepio...
perdi teu amor, quem diria!

trago meu peito inundado
escrevo palavras d'comoção
ponho as fantasias de lado
que trepam nos dedos da mão

este inferno que é escrever
tão confuso. tão tenebroso
nestas linhas quero morrer
sem um despedir doloroso

natalia nuno
 soltas escritas em meados de 2001






segunda-feira, 3 de setembro de 2018

amizade...




Para mais tarde recordar
Percorremos o oásis da mente
Com uma estranha sedução,
Versos frescos, água corrente
Por um desejo tão fremente
Que desceu ao nosso coração.
Com sentimentos puros e leais
Em momentos tão especiais,
Os que guardamos na memória
Não os esqueceremos, jamais
E farão parte da nossa história.
Poema feito por:
Natália Nuno e Maria Gomes
em 6-12-2017 no centro comercial Vasco da Gama
uma tarde bem passada e em boa companhia

domingo, 2 de setembro de 2018

na aventura do sonho...soltas



finjo até esquecer de ti
nesta viagem dia a dia
tal como coisa que perdi
que é sonho ou fantasia

como comboio que parte
ou que fica pela estação
a vida parte e reparte
e oferece-me teu coração

sinceramente, não tenho
a certeza de estar por aqui
dizem que lá donde venho
já tanta memória perdi...

alastra dentro de mim
esta saudade danada
quando era flor de jardim
e à tardinha te esperava

hoje que não sinto nada
o coração preso por fio
trago a fé afugentada
os dias a morrer de frio

pudesse partir e esquecer
na aventura de teus passos
poderia enfim  envelhecer
na ternura dos teus abraços

natalia nuno
rosafogo




sábado, 1 de setembro de 2018

amar não é castigo...



soltos pelo desespero
meus ais andam a esmo
não voltem assim espero
quero ficar comigo mesmo

quero o absoluto prazer
deixai-me ser insensata
quero sonhar e colher
este amor que a mim se ata

quero ao amor andar presa
trazer meu amado comigo
e das desventuras ilesa
amor e amar não é castigo

falar de amor suplico
neste poema de solidão
louca assim me deixo e fico
sonhando com viva paixão

o amor é pesadelo
é golpe fundo de espada
mas quem me dera vivê-lo
cruzar com ele na m´estrada

natalia nuno
rosafogo

palavras vão...



deixo o sol entrar à vontade
coração sem becos apertados
nele está presente a  saudade
vinda de tempos passados

encontro-te virando a esquina
nada mudou, nem eu mudo
és o que me resta da sina
e o que resta é mais que tudo

nas saudades onde m' afundo
que já não cabem em mim
és prémio maior q' o mundo
quero acreditar que sim...

palavras vão linha a linha
na cabeça do poeta louco
rezadas como ladainha
chôro por amor tão pouco

não tenho abrigo seguro
nem de viver tenho noção
pouco a pouco nem o futuro
quero já saber pra mim não

de loucura se cobre a vida
e eu sempre de peito aberto
trago-a sempre indefenida
mas quero trazê-la por perto

ao tempo não m'acomodei
fui conquistando a idade
deu-me tudo e eu lhe dei
estas trovas da saudade

natalia nuno
rosafogo

quinta-feira, 9 de agosto de 2018

trovas soltas ... peregrinação



golpeia a minha quietude
incendeia minha memória
lança se ao coração amiúde
fico sem chão... nem glória

paredes azedas de tristeza
último derrame de outono
tacteio eu na incerteza...
abulia, tristeza e abandono

outono de tons e cores
trazendo a brisa tão doce
campos despedem-se d' flores
e a solidão agigantou-se

da vida percorri metade
em louca peregrinação
fim da segunda a saudade
sementeira próspera n'coração

natália nuno
2004/01 (mês de aniversário)


trovas soltas... sem data





venho subindo os degraus
subindo venho de pés nus
uns dias bons, outros maus
vou levando assim a... cruz.


aonde vou de laçarote?!
debruçar-me à janela !
levo engomado o saiote,
a sorte vou atrás dela.


aonde vou eu peregrina
a algum lugar sagrado?
talvez lembrar da menina
que sempre trouxe ao lado.


os olhos da terra a côr
sempre a olhar mais além
seu coração traz amor
e  saudade nele também.


anda m' boca com desejo
dum beijo dado ou roubado
que boca terá esse beijo
que o trago tão desejado?


já pressinto a rendição
minha sensatez perdida
com o mover da tua mão
na blusa que trago vestida


natalia nuno
2004/10 (?)

quadras soltas...devaneios




faço m' versos doloridos
os sentimentos espaireço
dolentes ficam os sentidos
em devaneio tudo esqueço


o meu olhar vibrou tanto
quando olhou o olhar teu,
virou um vitral de pranto
porque o teu o esqueceu

de onde vem esta tristeza
de noite ou nas horas claras
da nostalgia é com certeza
saudade q' em mim deixaras


que será? sonho, delírio, amor
momento de êxtase ou saudade
quem sabe talvez seja só dor...
o que o Poeta sente de verdade.


poesia é do poeta a expressão
o som do grito ou do rumor...
ímpetos que vêm do coração
elegias, essências do seu amor.


a dor sempre vem e vai
tão firme é no coração!
dor que de lá não sai
dor que dói até mais não.


tem a alma expressiva
fica dele a recordação
poeta de alma emotiva
de anseio e inquietação


natalia nuno

na aldeia 6/2001

quadras soltas...o alecrim no monte



de aparência severa
vive o alecrim no monte
logo o rosmaninho quisera
viver ali mesmo defronte

só a chuva desvendava
o segredo do seu aroma
e a giesta que o amava
 ao lado logo se assoma

gota de orvalho golpeia
a comovida papoila
logo surge a lua cheia
q'faz sonhar a moçoila

já a noite emudeceu
o bosque foi-se apagando
na saudade tu e eu
vamos Mozart escutando

no ir e vir dos pardais
no baile trémulo das borboletas
apaziguam os versos meus ais
rimas essência dos poetas

vem o sol como um rio
e instala-se em meu peito
evoca memórias e o frio
leva-me as ideias a eito

pirilampo na noite imensa
acompanha a ave ao ninho
já nada é minha pertença
só no monte o rosmaninho

natalia nuno
quadras de 6/2001




quadras soltas... assim seja




o tempo é má vizinhança
com tal força causa danos
promessas em abastança
mestre na arte de enganos

vou pedir à saudade
e ela me trará, que eu sei!
o remédio para a vontade
com q'à vida me entregarei

quem vê além da aparência
com subtil e límpido olhar...
busca muito mais da essência
que a aparência pode mostrar

sinto-me triste, vontade
espera-me aí que já vou
liberto de mim a saudade
q' em meu coração ficou

porém outros sinais tenho
trago saudade que sobeja
lá do lugar de onde venho
é dor no peito... assim seja

vou rezando entre dentes
com alguma inquietação
quem sabe tu entrementes
me entregues teu coração

natalia nuno

na aldeia 6/2001

domingo, 5 de agosto de 2018

trovas soltas... se eu fosse...



fosse eu o luar que te alumia
ou  estrela que te guiasse
serias tu meu sol, todo o dia
rouxinol que me cantasse

fosse eu pedra da calçada
ouvisse longe teus passos
à noite pela calada
sonharia com teus abraços

fosse eu rosa de jardim
meu perfume soltaria
ao passares por mim
meu amor te beijaria

fosse eu a flor do linho
ou flor silvestre do prado
ía esperar-te ao caminho
em êxtase por ti! amado.

fosse eu uma baga doce
ou somente a sua metade
talvez Deus deixasse q'fosse
pra sempre a tua saudade

fosse eu chuva na vidraça
ou de Beethoven sinfonia
e tu homem que me abraça
tempo de felicidade viveria

mas não me resta senão
ser uma simples flor
plantada em teu coração
sequiosa do teu amor

natalia nuno

escritas em 1988,bem longe de ser rosafogo
hoje recolhidas dum velho caderno

quinta-feira, 12 de julho de 2018

últimas lembranças... trovas soltas

canta o rouxinol à janela
 oiço-lhe a voz de cetim
enquanto eu de sentinela
 aguardo por ti junto a mim

- sejam os desejos um só
renovem-se em abundância
faz tempo que demos o nó
 amor, perene importância

roseirais,minha lembrança
harpejos nos meus ouvidos
 rãs cantando e eu criança
 leiras de lírios colhidos

tomo em silêncio tua mão
 amor assim não se olvida´
 deixo por cá meu coração
 quando estiver de partida

raio vermelho, sol poente
 até à queda duma estrela
amar-te-ei silenciosamente
 levo saudade... e tu nela!

 direi ainda ao teu ouvido
 tenho minha alma liberta
ora à vida havê-la perdido?
 todos perdemos p'la certa!

no outono ainda me queres
unidos nascerão rosas...
colheremos malmequeres
com nossas mãos generosas.

 - desfolharemos uma a uma,
 como se Maio fosse inverno
se houver alegria...alguma!
 nosso sonho será eterno...


 natalia nuno rosafogo

sábado, 9 de junho de 2018

amor perfeito



hoje trago AMOR, perfeito
onde o mar azul s'adivinha
igual ao que trago no peito
já que amar é sina minha...


dizem ser m' poesia triste
também sou triste n' minto
se a felicidade existe...
não sei onde, não a sinto!

vi-me triste a pensar
que nem borboleta louca
segui de perto o teu olhar
mais de perto a tua boca

não há sonhos no m'chão
nem muito em q' acreditar
soletras amor, e o coração
perde-se na ambição d'amar

agonizam minhas pulsações
tanta apatia, não minto,
num rumor de solidões
tanta a tristeza a que sinto

sentei-me à soleira da porta
à espera d'ouvir teus passos
fim do poema eu quase morta
morta d' amor em teus braços

meu corpo se deixa enlaçar
esquece a estranha solidão
deixo meus dedos a rabiscar
o que me vai no coração...

natalia nuno
rosafogo




terça-feira, 29 de maio de 2018

amor...trovas soltas




fez-me o amor prisioneira
senti o coração a pulsar
e é tão grande a canseira
que à sorte o deixo andar

o coração deu-lhe guarida
obstinado já nada escuta
enaltece o amor, é sua vida
coração e razão numa luta

inquieto meu estado d'alma
a memória velho castiçal
m'coração perdendo a calma
e este amor que lhe é fatal...

deixo-me entregue à solidão
vou vivendo de emoções
até que meu pobre coração
encontre pra amar mil razões


natalia nuno
rosafogo
Abril 2002





quarta-feira, 23 de maio de 2018

inquietação...trovas soltas



nada me poderá destruir
ainda que mortal ameaça
nem o desejo diminuir
quando teu olhar me enlaça

tenho este sonho diferente
esfuma-se em realidade
aparição q'cruza a mente
e deixa nela a saudade...

tudo começa tudo termina
o que pra nós foi diamante
rasgado sorriso de menina
coração amando, palpitante

lágrima à beira do vazio
corpo odorífero de flor...
violento, agiganta-se o cio
os olhos revelam o amor

em palavras perdi o amor
do tempo perdi o pulsar
do rosto perdi o fulgor
sonho, não deixei quebrar!

sonho ou talvez paixão?!
e a palavra por companhia,
ou tudo minha imaginação
ou minha rasgada rebeldia.

natalia nuno
rosafogo
6/2000



tropeço na esperança...trovas soltas



inverno vem-se chegando
deixa meu coração dorido
e a minha boca calando...
gemido de amor perdido

trazer o desejo calado
o mesmo é enlouquecer
num silêncio improvisado
onde me deixo a morrer

quem anda d'amor perdido
agarra a ilusão que é escassa
é um rouxinol  adormecido
ao sabor da brisa que passa

na verdadeira solidão
não há sol que nos aqueça
põe o olhar em contemplação
na esperança sempre tropeça

lábios feitos pra beijar
outros os  estão esperando
os sorrisos a denunciar
os corações estão amando

coração de gelo partido
primavera por florir...
teu gesto tão desprendido!
como queres ver-me sorrir?

este meu coração partido
já só  de amor quer fruir
anda como o outono despido
despido anda o seu sentir

natalia nuno
rosafogo


sábado, 21 de abril de 2018

volta e meia..trovas soltas



flores na jarra...
flores ao peito...
já teu coração me amarra
amo-te deste meu jeito...

sou eu a pensar em voz alta...
delirando em sonho maior...
numa cascata q'me sobressalta... 
e me fecunda de luz e de amor..

flores na jarra, 
flores no cabelo.
o teu olhar me agarra
o coração vou perdê-lo

onde estás, estou contigo
e vivo a contar os dias
entregue ao sonho antigo
do tempo em que me querias

flores na jarra,
flores na mão
são teus olhos duas parras
que cobrem meu coração

o teu gosto no céu da boca
o teu beijo maré cheia
teu sorriso me põe louca
faz-me sonhar volta e meia

natália nuno
rosafogo
2001

perdida...perdi o norte



se não há quem me entenda
a ninguém quero entender
n'venha então quem pretenda
que lhe vá a mão estender...

o pensamento eu mantenho
pois venha lá quem vier
 se é de longe que já venho
trago a saudade a crescer

deixem dizer em segredo
que o q' parece nem sempre é
desejo de desejar, traz medo
mas ao amor o peito, bate o pé

as lágrimas que não chorei
libertei-as na escuridão
perdi-me de mim, já nada sei
são rasto em meu coração

dei comigo a sonhar d'alto
com o teu abraço forte...
ai de mim em sobressalto
perdida, perdi o norte

natália nuno
rosafogo



terça-feira, 17 de abril de 2018

saudade...



O amor é como incenso
Que acende e arde breve
Aroma que odora imenso
A alma de quem escreve.
Na verdade não me conheço
Tão diferente da que fui
Meu caminho eu atravesso
Lembrança que já dilui.
Já não há nada de verdade
Falo, falo, nem sei quem sou
Sou de mim já só a saudade
Saudade que em mim ficou.
natalia nuno
rosafogo

sentidos...trovas soltas



Tudo que escrevo eu sinto
São como lamentos reais
Às vezes para mim minto
Porque me doem de mais!


Há dias em que não escrevo
Para não usar o coração
Tão cansado que nem atrevo
A causar-lhe desilusão.


natalia nuno

domingo, 15 de abril de 2018

quem mais jura mais mente...



vermelho é o azevinho
ao pé da fonte água pura
não retrocedo caminho
levo a vida com bravura

não calo o pensamento
falo de quem muito amei
é grande este sentimento
o amor que te entreguei.

não me trates com desdém
que meu amor já perdeste
era teu... de mais ninguém
e foi pouco o que me deste!

agora que me não queres
não voltes à minha estrada
amor de esmola se queres
não te posso dar mais nada!

enquanto a ti estive presa
era amor... era paixão...
agora trago a certeza
quero de volta o coração.

esquece lá a tua jura...
quem mais jura mais mente
basta a saudade que tortura
meu coração doidamente...

 natalia nuno
rosafogo
quadras de 2001

quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

sem palavras...trovas soltas



no vazio da tua voz
há um eco abafado
que vem até mim veloz
com um som indesejado

se o olhar que trocámos
numa hesitação tremente
as palavras apagámos
então que resta da gente?

agora já a noite sobra
e  tudo que me disseste
já nada a gente cobra
talvez o sonho s'desfizesse

o tempo tudo nos esconde
de nada nos serve resistir
onde anda o amor, por onde?
deu frutos tem de seguir!

mas se ouvisse a tua voz
e não o eco que se arrasta
agora que o sol se pôs
e a vida de mim te afasta

ainda olharia para trás
ver-me menina e tu menino
olhando-te me olharás
s' apressarmos o destino

natália nuno 
rosafogo



sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

insistir na magia dos sonhos...trovas



criança em baloiço andei
ao frio, ao calor de verão
feliz no rio me banhei
por lá ficou meu coração

- já tudo de lá sumiu!
já a saudade é tortura
chora o salgueiro e o rio
já inverno em mim dura

chega a saudade repentina
colho saudades e suspiros
o sorriso em mim se ilumina
sorrisos vejo até nos lírios...

parte d' mim volta a nascer
alegre minha memória delira
outra parte em mim a morrer
tempo a vida e o sonho m' tira

luas inteiras a olhar o rio
horas, dias a ouvir as àguas
águas geladas, eu cheia de frio
aos seixos a contar as mágoas

trepava os muros da ladeira
havia excesso de alegria
ir aos ninhos era brincadeira
e os sonhos de magia vestia

nas noites de lua cheia
meu rosto ela emoldurava
e ao bruxelear da candeia
histórias a avó m' contava

quem impede meu despertar
julgando sonho s' consistência
enlouqueço se não posso voltar
meus sonhos, minha insistência

natalia nuno
rosafogo






sábado, 6 de janeiro de 2018

dizem que sou triste...



dizem os outros que triste sou
flor a  desfolhar caída ao chão
a Poesia nunca me abandonou
nem palavras dentro d' comoção

o vento sempre me abre a porta
derrama em mim pingos musicais
viva a palavra... eu estou morta!
afiadas as palavras são punhais.

enrodilham-se ideias na mente
mas o coração arde ainda mais
e mais, bate, bate... indiferente
as mãos correm n´param jamais

minha cabeça louca tropeça
no orvalho dos malmequeres
na noite não há nada q' impeça
de dar-te amor o que quiseres

dizem que sou triste anoitecer
rasgo a noite que é só minha
rasgo o luar e deixo acontecer
algum sol q' em mim caminha

é tempo das lágrimas recolher
dedos em movimento, escrevo
solitária já me deixo anoitecer
e escrevo o devo e não devo...

no meu rio interior sonora
flor, alegre ou triste pouco
importa... chegada a hora
do amor, eu sou Poeta louco


natalia nuno
rosafogo