terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Loucuras...trovas



mas quem me ama é João
já nem sei bem Joaquim
cabem os dois no coração
que dou a quem gosta de mim

já passei maus bocados
com os olhos exaurindo
lágrimas de mares salgados
abatida me estou sentindo

sei agora das duras penas
mas sei da força do perdão
não queiras que te ame apenas
dá-me tu...teu coração...

tanto que eu posso perguntar
porque razão não me amas?!
é estranho esse teu gostar
se nem querida...me chamas!

corpo desnudo, perfumado
e a vida tão curta ainda...
no coração arremessado
este amor que não finda


natalia nuno
rosafogo

domingo, 17 de janeiro de 2016

lembrar...



Ah! Não digam nada, neste instante acabei de surripiar esta foto a uma conterrânea amiga, e então porque é tão importante para mim a foto? Não acham nada de extraordinário pois não? Agora imaginem a imagem de folhas de outono caídas na minha memória já um pouco cegas pela bruma e pela ditadura do tempo...nesta tarde declinante que geme de saudade chega esta imagem aos meus olhos onde passei tantos dias da minha vida, voltei aos mitos da infância radiantes, iluminados, e senti-me alegre com as recordações do velho castanheiro do adro debaixo do qual tanto brinquei ao lenço, à apanhada, e a porta onde entrava despreocupadamente sempre com a ideia na leitura, que era sem dúvida aquilo
que mais apreciava...é um sentimento bem firme o de amar estas pequenas grandes coisas.
aquele pedacinho da janela onde a minha carteira ficava.....fiz um dia uma quadra a 1ª que me lembro de ter feito e que era assim:


minha escola branca e amarela
o adro onde brinco à apanhada
não há outra tão bonita como ela
nem sei doutra assim tão amada...

natalia nuno

quando a lua desce...à terra



minha infância passada
e os ardores da mocidade
depois da minha abalada
morro agora... de saudade

da janela mirando o rio
com os olhos meio secos
enche-se me a alma de frio
quando recordo teus becos

trago os sons nos ouvidos
das águas... e do moinho
em meus sonhos perdidos
inapagados teus caminhos

vou ainda atrás das casas
em sonho aqui e além...
minha mente ganha asas
passo a ponte...Banda d'Além

revivo velhas tradições
tudo me segreda saudade
rosário já velho...orações
do tempo da mocidade

sigo menina prá escola
lembro canções infantis
o que levava eu na sacola?
festejo de quem era feliz

no rio, no adro, na praça
do poço cantara à cabeça
meu coração tudo abraça
ainda lembro hora da reza

estás agora outra, renovada
mas és dona dum tempo antigo
pelos lapenses és amada...
sonham calados, sonham contigo

saudade velha tento calar
palavras que venho cantar-te
nostalgia acabei por herdar
e é difícil esquecer de amar-te


natalia nuno





terça-feira, 5 de janeiro de 2016

trovas simples...




suspira a rosa amarela
numa saudade infinita
não há bela igual a ela
mais formosa ou bonita

botão de rosa quem dera
ter oferta do meu amado
quando estou à sua espera
fica o ar mais perfumado


aroma da flor caído

esfuma-se a relidade
do sonho que foi vivido
e que é agora saudade

ai se eu uma rosa fosse

traria em mim o mistério
seria como o mel...doce
e, amar-te-ía ...a sério!


olha...nada a bem dizer
estou farta de ilusões
agora só quero esquecer
todas as inquietações

mal me quer, bem me quer
com a veemência da paixão
afogueante amor me espere
para entregar-te o coração.

natalia nuno

rosafogo

versos apagados...




ainda com algum vigor
mas com rosto enrugado
vai escutando com dor
todo o seu ser acossado

com palavras aprendidas
vai repetindo o que sente
simples quadras nascidas
que por ora vêm à mente

memória traz consumida
tão cansada p'los anos
espirais de fumo... vida
do passado... desenganos

solidão e o frio da hora
e do tempo a fugacidade
afoga a tristeza e chora
da ausência nasce saudade

já tudo era ontem...
como a chama do rosto
não digam e nem contem
que já foi luar de Agosto

traz a ideia assombrada
e a tristeza ela encobre
é uma porta dissimulada
já sua  visão é pobre...

seu sonho sua inverdade
mas é seu lar de esperança
com sonho mata a saudade
que traz de trás de criança.

natalia nuno
rosafogo


segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

trovas soltas...ser tua amante



adoço a voz e a expressão
para te cantar canto novo
nesta estranha preocupação
de cantar ao jeito do povo...

mimoso este meu trajecto
ser tua amante obstinada
não enjeites este meu afecto
ó minha aldeia tão amada...


tantas as conversas de nada
é-se novo, ama-se por amar
depois é a saudade obstinada
que mora no peito sem arredar

ó paraíso de cálidos recantos
vou dizer-te coisas carinhosas
nos versos atoados dos cantos
onde és graça natural das rosas

já sou agora água em repouso
já trago a vida toda inquinada
a esquecer-me de ti não ouso
ó minha aldeia tão amada...

límpida era então a mocidade
sabes melhor que ninguém...
dela e de ti trago a saudade
não esqueço a Banda de Além

a ti eu canto singelamente...
falha do teu estremecido chão
em versos semeio prodigamente
tudo o que me vai no coração...

fumegam imagens minha retina
parecendo à pouco, em turbilhão
do rio, da praça, de mim menina
deixam-me numa inerte lassidão

natalia nuno