quarta-feira, 26 de agosto de 2015

palavras ...trovas soltas



das palavras sou cativa
quer queira ou não queira
nesta prisão obsessiva
livrar-me não há maneira

vivo com metáfora ao lado
que me rasga de emoção
é minha sina é meu fado...
meu destino minha canção

palavras minha aventura
liberdade redentora
são o amor, são a ternura
que no meu coração mora

são o vento que se esfuma
palavras a pulsar de magia
são tudo ou coisa nenhuma
revelam o rosto do meu dia

natalia nuno

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

desvarios...trovas soltas


sentinela bem alerta
à espera de ver-te chegar
meu coração porta aberta
os braços para te abraçar

andam meus olhos a monte
fugindo que nem ladrões...
anda o sol no horizonte
o coração cheio de ilusões

o tempo tudo  esquece
o tempo queria esquecer
a tarde vai longe, anoitece
e meus olhos sem te ver

chorando está  a rosa
pelo cravo desprezada
a rosa que era vistosa
e nasceu para ser amada

é feita de sonho e frio
a vida ... nela é um mar
os anos ... são um navio
que se afastam a navegar

natalia nuno

versos de paz...trovas soltas



E quem sois vós?
e quem sou eu?
se estais sós...
fiquem com Deus.

como te olharei?
como me olharás?
com palavras farei
versos de paz...

por isso os escrevo
neste jeito triste
e nem sei se devo
falar se Deus existe

às vezes já confundo
e nem sei se rezar
trará bem ao mundo
ou hei-de a boca fechar

e digo para mim...
que a vida amo!
e sossego por fim
quando por Deus chamo

palavras são belas
para quem entender
sempre encontro nelas
esperanças a crescer

palavras são perfeitas
como sóis e luas
então se as aceitas?!
são minhas... e  tuas.

natalia nuno
rosafogo

domingo, 23 de agosto de 2015

pensamentos...trovas soltas



tanta maneira de entender
o que nos enche o coração
morte e vida vá-se lá saber
é como andar em contramão

estamos vivos e morremos
e pensamos, como entender?
e às vezes loucos parecemos
preferimos nem querer saber

seguimos  à cata da felicidade
dia e noite o sonho buscamos
nasce-nos da força a saudade
e assim, saltitantes lá vamos



natalia nuno
rosafogo

sábado, 22 de agosto de 2015

ecos em mim...trovas soltas



dizem que não pode ser
que é minha imaginação
que é mágoa de te perder
ou a saudade no coração

que mágoa tão comprida
é grande a dor que m' ficou
é saudade em mim sentida
que o pesar me assegurou

pena foi esta que me deu
meus olhos não querem ver
nem o passado me esqueceu
porém eu, cansei de o viver

não me queiram consolar
já que o tempo me levou
pode a morte vir-me buscar
já que a desventura chegou

não quero nem me atrevo
a dizer  ainda que queira
palavras que aqui escrevo
são tristes à minha maneira

natalia nuno

rosafogo





sexta-feira, 21 de agosto de 2015

sentimento travesso...quadras soltas



fica tudo claro ou escuro
ao pé do fim o começo
trago o coração seguro
mas o amor é travesso

gosto de andar em perigo
sem nunca saber o fim
fugir do amor não consigo
quero-o sempre perto de mim

se tanto é o mal que faz
mesmo assim ainda o quero
fugir dele não sou capaz
sem amor eu desespero

fica a vida como cega
não atina, não sei porquê
se à mingua o amor chega
baça névoa o olhar vê


natalia nuno
rosafogo

Amar...trovas soltas




amor, amparo e abrigo
trago apertado ao peito
valeu a pena ter vivido
o sonhado amor perfeito

não sabe ao certo ninguém
se é infinito ou tem fim
quem vive tamanho bem
tem de acreditar que sim

vai andar sempre contente
sem ter lágrimas choradas
pois se coração não mente
serão doces, não salgadas.


natalia nuno

terça-feira, 18 de agosto de 2015

quem parte...trovas



quando a lua branqueia
por cima dos pinheiros
vem do mar uma sereia
encantar os marinheiros

lá no céu estrelas tremem
como pombas assustadas
os marinheiros não temem
deixam em terra as amadas

que aos  amores são fiéis
desfolham lágrimas caladas
choram elas sobre os anéis
rogam aos céus alucinadas

e o mar:

de mil azuis...mil matizes
manto azul, morno e calado
deixa e leva profundas raízes
e mil sonhos de braço dado

natalia nuno

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

trovas queixosas...



é sempre bem querer
mesmo a quem nos deixou
que algum bem possa ser
já que algum bem ficou

deixou o bem da saudade
saudade que é de sobejo
é na alma obscuridade
ao coração traz desejo

e os olhos lá tristes vão
sem nenhum contentamento
nem achada consolação
nos sobe ao pensamento

e se o remédio é tardar
não ouse mais m' esperança
que desmoreço ao esperar
não tarda a desconfiança.


natalia nuno

O jogo do berlinde



criança só pode ser
toda de alegria cheia

joga para se entreter
ignora a vida feia...

na aldeia à vontade
na rua brinca contente
ó que bela a liberdade
vai aprendendo a ser gente

rua abaixo, rua acima
dois berlindes na mão
enquanto faço uma rima
sobre o meu belo torrão

nascem como erva danosa
que nasce por entre o trigo
mas são filhos duma rosa
amigos do seu amigo...

jogam berlinde no chão
são todos de grande riso
cai a tarde lá vão então
levam na boca um sorriso

às vezes uma triste queda
na aldeia a choradeira...
é a lágrima que não veda
vem o sono é  bebedeira

enxuga os olhos e o rosto
faz à dor mais resistência
vai esquecendo o desgosto
promete a si mais prudência

no adro encontra alegria
lança o berlinde ao chão
a pobreza sobeja e enfastia
brinca e acha  consolação...

natalia nuno
rosafogo

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Canção de ventura...



é tempo companheiro
de deitar a saudade fora
tempo de acariciar o cheiro
deste momento desta hora

tempo de rasgarmos trilhos
deixar o amor transbordando
desatar os nós dos atilhos
com que a vida nos foi atando

canto o sol que nos queimou
cantemos à lua um canto novo
se a vida não nos acariciou?!...
viva a vida! viva o povo...

somos povo e caminhamos
neste mundo em convulsão
na terra que tanto amamos
Vamos dar as mãos...irmão!

natalia nuno
rosafogo

ouvindo o coração...trovas soltas










sinto o vento a correr
meu coração agitado
sofro eu por não te ver
trago o coração parado

por ti me deixo prender
teu olhar tanto me queima
passa o vento a gemer
meu coração se incendeia

meu corpo quase voando
todo ele fogo da paixão...
com loucura vai-te amando
sem cabeça e pés no chão

natalia nuno
rosafogo

Grito...trovas soltas




na ânsia da liberdade
olho a borda do mar
dele me chega a saudade
ao coração para ficar

tristes os pensamentos
chegam esfrangalhados
são papagaios cinzentos
sonhos em mim germinados

marcas de pés são leves
passos lentos e suaves
momentos são tão breves
solto meus sonhos alarves...

famintos de gargalhadas
e de sorrisos maduros
palavras amordaçadas,
sem passado nem futuro

rasgam-se noites e cobrem
meu grito de esperança
e não há sinos que dobrem
por não ser eu mais «criança»


 natalia nuno
rosafogo

terça-feira, 11 de agosto de 2015

água dos olhos...trovas soltas



as chuvas cairão
cobrirão meus olhos d'água
os sonhos para longe irão
ficará só minha mágoa

levanta-se a ventania
meu amor não regressou
adeus até qualquer dia
que daqui agora me vou

passos vão para a frente
levados pelo vento
só meu coração sente
o que levo no pensamento

por muito pouco que seja
e me arraste pelo chão
tudo o que o coração deseja
é muito amor, muita paixão

dizem tenho muito feitiço
mas o amor se foi...
meu coração sabe disso!
é é mágoa que sempre dói.

natalia nuno

rosafogo

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Utopia



súbita saudade de mim
fico acordada a sonhar
o sonho a chegar ao fim
a saudade sempre a ficar


saudade em mim habita
lateja dentro do peito
passa o tempo e a desdita
passa a vida não tem jeito


mas a vida não foi em vão
de longe se vem cumprindo
cabe a Deus...  a decisão!
saúde... lhe vou pedindo.


procuro nem sei  o quê
sonho que não tem fim
acordada já se vê! ...
utópico sonhar assim.


natalia nuno
rosafogo