domingo, 29 de setembro de 2013

trovas...dedicadas



coração requer carinho
vontade louca de acreditar
achar amor pelo caminho
 de amar e deixar-se amar.

passarinho pousou no portão
foi tão fortuito o momento
que me levou o coração...
na memória deixou assento.

ergui ao vento o meu choro
porque partiste meu amor?
se no teu coração não moro
salta-me do peito esta dor.

nasce a manhã e eu escrevo
memória fresca ao redor...
as gotas de orvalho eu bebo
à janela espero por ti amor.

sentada aqui nesta cadeira
desdobro-me na tua frente
e quer queiras ou n' queiras
vamos falar d'amor da gente.

a tua mão... na minha
causa alguma excitação
anda lá amor, caminha...
de encontro ao m' coração

enquanto houver esperança
e o coração d'amor cativo
viverás na m' lembrança
serás eterno enquanto vivo

natalia nuno
trovas 03/1999

sábado, 28 de setembro de 2013

trovas...reminiscências do tempo



ao longe raios de fogo
já as aves emudecem
minha mágoa desafogo
m'has forças desfalecem

reminiscências de ontem
dia a dia bem avivadas
memória de quem as tem
de alecrim impregnadas

aroma silvestre e bravio
fresca sombra do pomar
no doce embalo do rio...
deixei-me por ti amar.

vida é barco aventureiro
ou uma afoita jangada...
barco à vela ou veleiro
ou bandeira desfraldada

dos olhos some-se a vida
que já é sopro de brisa
a viagem já vai comprida
só de sonhos ela precisa

o agasalho que me deste
meu Deus eu te agradeço
Tu no mundo me puseste
e eu nem sei se Te mereço

ser àrvore seca resnascida
ou sombra que o vale cobre
trazer saudade adormecida
e a inspiração sempre sobre.

pula o coração no peito
com uma força exuberante
o sangue nas veias perfeito
agita-se a alma cada instante

estes versos que gerei
em noites de céu estrelado
são sonhos que acalentei
neste meu tempo inacabado.

natalia nuno
rosafogo

terça-feira, 24 de setembro de 2013

trovas ao Poeta

 
 
Poeta sofre sem merecer
Vai exaltando a poesia!
E pasma por não saber
por que se foi a alegria.
 
palavras de formosura
vai cerzindo trova a trova
fala de amor e ternura
logo lhe surge alma nova
 
fala ele tanto de amor...
fala de soluços e pranto
fala para esquecer a dor
desfalece de desencanto
 
sonha que é belo o sonho
seu sonho eterno sem fim
acredita o Poeta suponho!
também ele vive em mim...
 
seu coração é pássaro louco
que vai debicando maçãs...
o amor sempre acha pouco
suas esperanças sempre vãs.
 
 
natalia nuno
rosafogo
10/2009
 
 

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

soltas...acorda e canta.



palavras são o que são
são as minhas e as tuas
saem-nos do coração...
sem vaidade nascem nuas
 
também traz felicidade...
lembrança dos anos idos,
também causam saudade
os retratos amarelecidos

logo passada a emoção
tempo de amor e anseio
quimera, sonho ou visão
 amor passa a devaneio...
 
aqui ao lado o riacho
em cima corre a ribeira
coração vai rio abaixo
atrás de ti com cegueira
 
do mar chega o rumor
que a vida é presa por fio
coração que teve amor
nunca morrerá de frio.
 
causa-me tal comoção...
que é por ti adivinhada!
é a alegria é meu chão
saber-me por ti amada
 
sempre vinhas e insistias
não me deixavas sozinha
veio a saudade aos m'dias
lá se foi a sorte minha 

a minha esperança é feita
de lembranças rendilhadas
com o coração adoçadas
tu chegas e tudo se ajeita...
 
 mil mensagens... amor
em delírio o coração,
rezo a prece com fervor
m' poemas te cantarão...

natalia nuno
rosafogo
Abril/ 2005

domingo, 22 de setembro de 2013

outras de orvalho apenas...



meu brado é de liberdade
como o vento que rumoreja
e quando me dá a saudade
sou borboleta que adeja...

frases bonitas não tenho
escrevo as que acho melhor
é com elas que me avenho
e as escrevo com  amor...

triste de quem não tem
lembranças para lembrar
nem saudades de alguém
no coração a morar...

no meu peito se teceram...
 pespontadas a fios de oiro
e as mãos serenas verteram
trovas doces meu tesouro.

agora já ninguem me cala
nem quebra meu quebranto
os versos são minha fala

meus sorrisos ou pranto.


natalia nuno
rosafogo

 
 
 

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

soltas...com pudor de sê-lo

 
 
quando se fala por falar
saem palavras pavorosas
ditas palavras para amar
são delicadas como rosas

dentro de quatro paredes
vidas difíceis, medos, enredos
que Deus vê e vós não vedes
só Ele conhece os segredos.

nunca temos nem tivémos
muros altos que nos protejam
não somos e nunca quisémos
ser o que outros desejam...

dizem ai... tempo como  parou!
eu nem dei por ele a passar
se o tempo por mim passou
quem é que o sentiu parar?

um rosto não tem regresso
o tempo sobre ele se impõe
não me conheço...desconheço
o tempo de mim dispõe...

ao ouvir o dobrar do sino
vem à memória a distância
e o leme do meu destino
tempo fugaz o da infância.

o tempo me atraiçoou
trago dele cicatriz
o coração couraçou
e hoje estou feliz...

tenho mãos de camponesa
feitas para amassar o pão
nasci junto à natureza
sou livre por condição
 
natalia nuno
rosafogo





nada a acrescentar...



substância fez o poema
Poeta não o segurou
tão belo era o seu tema
que o Mundo encantou

dentro do meu coração
que é arco-íris no céu
vive a cor da solidão
e o preto da noite breu.
 
a solidão também conforta
se o coração anda a chorar
ou quando a vida anda torta
com amores por enterrar...
 
não tenho nada a escrever
escrevi trovas e sonetos
da bagagem do meu viver
e de meus sonhos secretos.
 
natalia nuno
rosafogo

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

trovas de amor


 

o teu corpo me surgia
estremecia o meu olhar
e eu em flor me abria...
para nossa sede matar.

trago na alma o ardor...
ando nua de preconceito
quando te falo de amor
galopa o prazer no peito
 
entra no meu peito agora
que nem saiba que entraste
um dia vai chegar a hora
eu saberei que lá ficaste

deixa desencadear o beijo
deixa  que tudo aconteça
que seja absorvente o desejo
amor... até que amanheça.

colhe-me ainda em botão
como espiga de ternura...
não deixes que m' coração
desfolhe de desventura
 
 
natalia nuno
rosafogo

 
 
 
 

 


 

terça-feira, 17 de setembro de 2013

esquecimento...

 
 
trago-te no esquecimento
esqueci até teus abraços
vou sarando cá por dentro
o amor só me deu cansaços
 
um dia se te encontrar
para ti olho de frente...
se a saudade atrapalhar
vou fingir-me indiferente
 
finjo não haver tristeza
hei-de rir à gargalhada
mesmo que mostres frieza
não verás lágrima toldada
 
nosso amor está moribundo
é fantasma atrás de mim...
perdeu-se por esse mundo
quem dera não fosse assim!
 
vou escrever um verso triste
com letras bem pequeninas
nele ponho a dor que existe
das nossas amargas sinas.
 
natalia nuno
rosafogo
2010/06


segunda-feira, 16 de setembro de 2013

palavras...



sento-me à mesa e escrevo
meras palavras feias e bonitas
as que devo e as que não devo
umas bem outras mal( ditas).

escrevo q' o sol volta a brilhar
escrevo q' creio num novo dia
deixo pra sempre de m'inquietar
serei de novo brincadeira, correria

mas se o sol não mais brilhar
como nos dias da adolescência
ainda assim vou querer acreditar...
na vida...é essa minha tendência.

na infância sempre o sol brilhou...
na lembrança deixo-me embalar
enquanto escrevo a solidão pegou
o sol vem até mim me aquietar.

escrevo em maré de tempestade
trago da vida a revolta e o fel...
chega até mim a saudade
desse tempo que foi de mel.

tanta palavra vistosa ou vazia
no coração... nenhuma melhor
tantas escrevi no meu dia a dia
continuo à cata da palavra «amor»

natalia nuno
rosafogo

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

olho o espelho...




trago esperança queimada
queimada trago a alegria
trago a vida já caminhada
caminhada dia após dia...

anda o silêncio a seguir
solidão em mim perdura
mais silêncio que há de vir
e a solidão fica sem cura

faz o coração ausência
nega-se a ouvir a razão
chega a hora que existência
dá razão ao coração...

espelho mostra a imagem
de mim...desfasada já se vê!
como é que tem coragem!?
não quero nem saber porquê.

natalia nuno
rosafogo
trovas de 2009

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

amar é de enlouquecer...




na vida dum coração...
nela cabe o amor inteiro
mas nunca aprende a lição
e a sofrer é o primeiro...
 


amor é algo muito sério...
como seu aroma prender?
aí é que está o mistério!
amar é de enlouquecer..

querer-se amor de verdade
perfumado de aromas de flor
oh!...que seja todo suavidade!
faça  pulsar o coração d' amor


abrasado esse teu coração,
como é doce nele entrar!
se é milagre ou perfeição?!
que importa? se ele me amar.


o que me espera no porvir
serão as ternuras desfeitas?
ou doces ilusões vou sentir
amor... depois de contas feitas!


amor, depois das contas feitas
sobra um gostinho a saudade

onde há carícias perfeitas...
incendeia a vida de felicidade


natalia nuno
rosafogo

trovas de 1989

domingo, 8 de setembro de 2013

o beijo...





anda minha boca com desejo
dum beijo dado ou roubado
que boca terá esse beijo?
que o trago tão desejado!?
 
meu olhar brilha na tarde
tarde fora p'lo teu  ele brilha
quem dera seja verdade...
o teu leia p'la mesma cartilha.
 
que seja um beijo só...
um só beijo da boca linda
já na garganta um nó...
e este desejo que não finda.
 
tem a vida que ser cruel
me esvazia o coração
com o sabor amargo do fel
e o meu sofrer em vão...
 
da tua boca mendigo
o que tem pra me ofereceres
 beijos que troquei contigo
é hora de os devolveres...
 
natalia nuno
rosafogo



sábado, 7 de setembro de 2013

resta um sopro...



o que falta ainda viver
aperta-se ao nosso redor
não há tempo a perder
é agora o tempo... amor

tudo ontem era nosso
nada temos a perder...
ao rítmo da queda posso
e quero ainda viver...

atearei ainda teu fogo
até que se esgote o ar
em tua boca me afogo
és lenha pra me queimar

nos olhos o céu se alaga
sem ti nada faz sentido
peço a Deus que nos traga
mais um tempo con(sentido)

somos raízes do jardim
lírios brancos esvoaçantes
vivo em ti e tu em mim
eternamente dois amantes

do jardim mesmo perfume
somos  pétalas que restam
trazemos a vida no gume
mas sonhos se manifestam

natalia nuno
rosafogo



a uma nuvem me assemelho







me deixe sonhar a esperança
que eu sou uma pobre crente
de coração sou uma criança
e de alma sou sonho ardente

a uma nuvem me assemelho
carregada,  azul dos céus
se abre o sol... logo espelho!
sou Poeta assim quis Deus...

sonho-me na mocidade
ao olhar para trás eu choro
peço ao tempo por piedade
não leve a memória imploro

quero sentir deslumbramento
e conservar bem na memória
desde o dia do nascimento...
até terminar minha história.

natalia nuno
rosafogo
1999/03

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

hora do fim do dia...


para viver tal paixão...
ou emudecer de espanto
deixo pousar tua mão
em religioso encanto...

há pingos de novidade
não quero deixar escapar
trago no coração saudade
que hoje me veio adoçar

desespero no coração
ao final noite escura
um travo de solidão
mudez da tua ternura

ai amor que desvario!
que falta de imaginação
vem o inverno tenho frio
já o sinto no coração...

natalia nuno
rosafogo
2008/ 04

 

trovas soltas...



trepam enleios p'los muros
e eu sigo seus movimentos
a vida tem momentos duros
andam os sonhos sonolentos

 sente-se um amor profundo
o amor causa saudade fina
esse amor que cala fundo
sofrer dele é nossa sina.

assim é bom  ser beijado...
tal qual o sol beija a terra
e beija as flores do prado
chega a todos sem guerra.

não é por mim, é por ti...
pra que não possas negar,
que eu nunca... nunca temi!
trovar em qualquer lugar

andam pássaros no coração
nos caminhos da utopia
esqueço -me até da razão...!
da minha entrega à Poesia.

com carinho sempre terno
se despede a Primavera
logo aí chega o Inverno
e o aconchego nos espera.

natalia nuno
trovas soltas/ sem data
 

Loucura de poeta...



poesia olhos de mágoa
nas cordas duma viola...
coração frescura d'água
doce trinar numa gaiola


a trova não tem espinhos
ponho nela mil sorrisos,
searas de pão, caminhos...
letras escritas, improvisos.
 
trago poesia em mim
 cuido a todo o momento
é como flor dum jardim
 à tarde a beija o vento

neste idílio misterioso
a poesia é já saudade
um bem estar caloroso
faz esquecida a realidade

sinto que me aparto de ti
na lividez da madrugada
paira minha alma por aí
 para sempre fustigada...

Poesia, rosto de mulher
verdadeira obra prima
que um poeta qualquer
faz com emoção e rima

só a morte há-de apagar
levar da minha solidão
quando a cabeça pousar
trovas... minha criação.

e o poeta é já um louco
já não vive da verdade
acha seu tempo pouco
ávidos por um milagre

natalia nuno
rosafogo

2003/08













 
 

a vida continua...



silenciosa de sinais...
está a vida sem frescura,
 e o coração dói demais
por ti a minha loucura.

é de saudade que padeço
vou desbravando oceanos
 nesta verdade me conheço
navego nos desenganos...
 
afronta-se o coração
o dia depressa anoitece
sem saber porque razão
logo o coração escurece

com coração destroçado
a mágoa aos olhos aflora
quem ama quer ser amado
sem ter dia nem ter hora

ainda agora era agosto...
já se avizinha Setembro
um olhar que tanto gosto
e do rosto mal me lembro

 

natalia nuno
rosafogo

2003/07
 
 

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

fim de namoro...





este mais que bem querer-te
que eu sinto de noite e dia...
vivo e  anseio por te dizer-te
do amor que em mim floria

guardo a doçura de ti
subo a calçada de outrora
a mesma onde te vi
namorando outra agora.

os passos rasgam estradas
me cruzo com tanta gente
dou perdidas as passadas
pois me olhas indiferente

avenidas de alcatrão
de terra batida o que fôr
batendo vai meu coração
por ter perdido este amor

ficou em mim o feitiço
e já a lua se esconde
já és de outra o derriço
deixas que outro me ronde.

trago olhos esbugalhados
de tanto querer ver-te
trago os dias contados
e não consigo esquecer-te.

quadras de 09/2002

natalia nuno
rosafogo


quarta-feira, 4 de setembro de 2013

digam...digam



chamem-me tudo agora
ou então fiquem calados
deitem o silêncio fora
os guizos bem levantados

falem da minha loucura
das nódoas negras que tive
da infinita brancura...
em que minha alma vive...

dêem em mim ferroadas
podem dar com violência
não vou sentir as picadas
vivo a vida com ardência

interfiram nos meus passos
inventem becos sem saída
atem-me o cabelo com laços
saltem na memória esquecida

mas digam com real precisão
que toda a paz que há em mim
é poesia que me arriba à mão,
ao coração me faz feliz assim!

natalia nuno
rosaofogo






terça-feira, 3 de setembro de 2013

nada de novo...


veio de longe e me deu
o travo da solidão
o sonho que nem nasceu
mas esteve perto da mão

gosto do simples falar
dos pés assentes na terra
tenho loucura p'lo mar
gosto de paz não de guerra.
 
como será nosso Destino
desenfeitiça-me a dúvida
que a suspeita é desatino
cravada na minha vida...

não há palavras pra dar
pelo tempo desarmada...
e a saudade a engravidar
no coração confirmada!

natalia nuno
rosafogo

canta o rouxinol no ramo...


sobe o sol p'la manhã
já vai alto e sorridente
basta a tudo... é talismã
talhado a aquecer a gente

solta-se,  animando vai
a terra meio abandonada
enquanto a chuva não cai
lá mais para a invernada.

avista-se o fruto na vinha
canta o rouxinol no ramo
logo o coração adivinha
estar por perto quem amo

esperança de mão em mão
borboleta pousa na flor
asas tem meu coração
para procurar-te amor

deixa de pensar nas horas
os ponteiros estão parados
os meus olhos se tu choras
são ribeirinhos alagados...

as horas se fazem render
meu sonho flui disfarçado
o sol sempre irá nascer...
já meu tempo, levo contado.

natalia nuno
rosafogo



segunda-feira, 2 de setembro de 2013

palavras, imaginação de poeta


palavra me vem à boca
palavra não é de ninguém
anda ela feita louca...
sendo nada julga-se alguém

palavra nova inventei
dei à luz, fiz acontecer
tão assombrada fiquei
sem ambição a vi morrer

de contradições é feita
do coração ela explode
anda p'lo mundo satisfeita
não há boca onde não rode

mas o tempo é vencedor
vem um dia tudo acaba
e a palavra que era amor
tal como a vida desaba...

palavra é lago de emoção
é fala é voz é linguagem
o verso, nossa imaginação
feito com ou sem coragem.

feito sob a ansiedade
percorre passos apressados
rodopia na claridade
morre nos sonhos gorados.

natalia nuno
rosafogo