sábado, 14 de novembro de 2020

outono na alma...

                                                                 


                                fui apanhar as estevas

logo murcharam na mão
coração onde me levas?
certezas elas me dão...

entranço na alquimia
o meu chegar ao ocaso
mente feliz, que dia a dia
à felicidade dá aso...

apanhei também alecrim
que viçoso me olhou
quem dera saber de mim
ao que vim, e pra que estou!

vim ver cair as primeiras folhas
«o cheiro das estevas e da urze»
indago o sentido c/ que me olhas
vem o vento ao ouvido me zurze

levo a rebeldia no olhar
violento é o punho dos dias
contra a morte, que há-de chegar!
levando todas as alegrias.

chego-me ao pé da lavanda
cálido murmúrio no coração
beijos o meu amor me manda
serão sonho ou talvez paixão.

o outono da minha tristeza
sento-me ao lado dos aromas
o coração singelo sem certeza...
sou tua luz, por quem me tomas?

amor, já me levas ao sonho
com olhos d'água no horizonte
apenas  a esperar me ponho
no desejo de beber da tua fonte.

natalia nuno

2 comentários:

" R y k @ r d o " disse...

Sublime encanto poético. Li fascinado pela simplicidade e harmonia inserto num poema deslumbrante
.
Feliz fim de semana
Cumprimentos

orvalhos poesia disse...

Grata estimado amigo.

desejo excelente semana-
meu abraço